A crise no sector da saúde em Moçambique continua sem solução. A Associação de Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou o prolongamento da greve nacional por mais 30 dias, mantendo a paralisação total das actividades nas unidades sanitárias de todo o país.
A decisão foi tomada depois de a associação considerar que o Governo ainda não apresentou respostas concretas às principais reivindicações dos profissionais, que incluem a falta de medicamentos, ausência de materiais médico-cirúrgicos, melhores condições de trabalho e melhorias no atendimento aos pacientes.
Segundo o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, a situação nos hospitais continua preocupante, com várias unidades sanitárias a enfrentar dificuldades para garantir serviços básicos devido à escassez de medicamentos e equipamentos.
“Os profissionais de saúde estão a usar os seus próprios salários para comprar materiais de protecção e higiene para ajudar a população”, afirmou Muchave, citado pela associação, acrescentando que algumas consultas e exames considerados urgentes chegam a ser marcados para meses depois devido às limitações existentes no sistema.
Associação diz ter apresentado provas da crise hospitalar
A APSUSM revelou que, após o Governo ter solicitado provas sobre a alegada crise nas unidades sanitárias, a associação apresentou exemplos de medicamentos fora do prazo e situações de escassez de fármacos em diferentes hospitais do país.
Para os profissionais, a falta de resposta rápida está a agravar a pressão sobre médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da saúde, que continuam a trabalhar em condições consideradas inadequadas.
A associação exige a implementação de um plano de emergência para garantir o fornecimento regular de medicamentos essenciais, materiais hospitalares, alimentação adequada para pacientes internados e aumento do número de camas para reduzir a superlotação nas unidades sanitárias.
Greve prolonga-se desde Janeiro
A paralisação da APSUSM iniciou em Janeiro e tem sido renovada em períodos de 30 dias. Além das questões relacionadas com medicamentos e condições de trabalho, os profissionais mantêm a exigência pelo pagamento integral do tradicional “13.º salário”, correspondente a um mês adicional do salário-base.
Anteriormente, a associação chegou também a pedir a demissão do ministro da Saúde, Ussene Isse, responsabilizando o Governo pela alegada falta de gestão adequada no sector hospitalar.
Governo enfrenta pressão para resolver crise no sector da saúde
O prolongamento da greve aumenta a pressão sobre as autoridades de saúde, num momento em que milhares de cidadãos dependem diariamente dos serviços públicos hospitalares.
A APSUSM defende que a solução passa por medidas urgentes para recuperar a capacidade das unidades sanitárias e garantir que medicamentos e materiais essenciais estejam disponíveis em todo o território nacional.
A continuidade da paralisação poderá afectar ainda mais o funcionamento dos hospitais públicos, caso não haja um entendimento entre os profissionais e o Governo.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)