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22 de abril de 2026 | Por Carlos Alberto
O preço dos preservativos poderá sofrer um aumento significativo nos próximos tempos, com previsões que apontam para uma subida entre 20% e 30%, na sequência das perturbações provocadas pelo conflito no Médio Oriente e pela instabilidade no estreito de Ormuz.
A situação resulta da tensão entre Estados Unidos, Israel e Irão, que tem afetado rotas estratégicas de transporte de petróleo e gás natural — matérias-primas essenciais para a produção de diversos componentes industriais, incluindo o látex utilizado nos preservativos.
O alerta foi feito pelo presidente executivo da Karex, considerada a maior fabricante mundial de preservativos, que confirmou que o aumento de custos de produção torna inevitável a subida dos preços ao consumidor.
A empresa, sediada na Malásia, produz mais de 5 mil milhões de unidades por ano, fornecendo não só a sua marca própria, como também outras marcas internacionais e organismos como as Nações Unidas em programas humanitários.
Segundo o responsável da empresa, o encarecimento de substâncias químicas como o amoníaco anidro, a nafta e o nitrilo — fundamentais no fabrico de preservativos e luvas médicas — está a pressionar fortemente a indústria.
“A situação é, de facto, muito precária. Os preços estão muito altos e não há outra escolha senão transferir esses custos para os consumidores”, afirmou Goh Miah Kiat, em entrevista à Reuters.
Além do aumento dos custos, a procura também disparou, com vários mercados a tentarem reabastecer os seus stocks após falhas nas cadeias de distribuição.
De acordo com informações citadas pelo Jornal Expresso, a redução de programas de apoio humanitário, como os financiados pela USAID, também contribuiu para a diminuição dos estoques globais, especialmente em países em desenvolvimento.
Em 2026, a procura mundial por preservativos terá aumentado cerca de 30%, segundo a Karex, com muitos carregamentos a ficarem retidos durante o transporte marítimo.
Atualmente, as encomendas estão a demorar quase dois meses a chegar a clientes na Europa e nos Estados Unidos, mais tempo do que antes da crise no estreito de Ormuz.