A reabilitação de algumas das principais vias da cidade de Nampula surge agora como prioridade assumida pelas autoridades municipais — mas com um reconhecimento incomum: intervenções passadas não resistiram ao tempo.
O município anunciou um investimento de cerca de 2,3 milhões de dólares para recuperar aproximadamente 2,6 quilómetros de estrada, numa tentativa de aliviar os constrangimentos que há anos afectam a mobilidade urbana. A intervenção concentra-se na estratégica avenida 25 de Setembro, um dos eixos mais movimentados da cidade.
O presidente do conselho municipal, Luís Giquira, confirmou que a decisão foi tomada mesmo sendo as vias formalmente da responsabilidade da Administração Nacional de Estradas. A medida, segundo explicou, responde à pressão crescente dos munícipes, que enfrentam diariamente dificuldades de circulação.
Mais do que anunciar obras, o edil deixou transparecer preocupação com a qualidade das intervenções anteriores. Ao defender que “desta vez” o trabalho deve ser bem executado, admite-se, na prática, que investimentos passados falharam em garantir durabilidade — um problema recorrente que levanta dúvidas sobre fiscalização, execução e uso de recursos públicos.
O financiamento será assegurado pelo próprio orçamento municipal, numa altura em que o Governo central também prevê uma ofensiva mais ampla no sector rodoviário. O Plano Económico e Social e Orçamento do Estado para 2026 inclui metas ambiciosas, como a reabilitação e asfaltagem de centenas de quilómetros de estradas em todo o país, além da construção e manutenção de pontes.
Ainda assim, no terreno, o desafio continua a ser outro: garantir que os investimentos não se limitem a soluções temporárias. Em cidades como Nampula, onde o desgaste das vias tem impacto directo na economia local e no quotidiano da população, a expectativa já não é apenas por obras — mas por resultados que resistam ao tempo. |POR : SILVIA JOSÉ |