Moçambique registou, ao longo de 2025, a entrada de mais de 244 mil pessoas no tratamento antirretroviral, incluindo cerca de 12 mil crianças, segundo dados apresentados esta segunda-feira na Assembleia da República pelo Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao VIH/SIDA, no âmbito da avaliação da resposta nacional à epidemia.
A informação, avançada pela agência Lusa, indica que o país conseguiu atingir níveis elevados de cobertura no início de novos tratamentos, com destaque para os adultos, que ultrapassaram a meta anual ao atingir mais de 232 mil novos casos em terapia. No caso das crianças, o número aproxima-se do objectivo definido, sinalizando avanços no acesso ao tratamento.
Apesar destes progressos, os dados revelam fragilidades no acompanhamento dos pacientes. O relatório apresentado no Parlamento destaca que o número de pessoas activas em tratamento continua abaixo do esperado, evidenciando dificuldades na retenção ao longo do tempo, factor considerado crítico no controlo da doença.
Outro ponto de preocupação prende-se com a redução no número de testes realizados. Em 2025, foram efectuados cerca de 12,6 milhões de testes de VIH, uma queda de 3% face ao ano anterior, o que pode comprometer o diagnóstico precoce e contribuir para o aumento de novas infecções.
Estima-se que o país tenha entre 2,3 e 2,6 milhões de pessoas a viver com o vírus, incluindo centenas de milhares de crianças, com uma média de 252 novas infecções por dia e cerca de 44 mil mortes anuais associadas à doença. Estes números mantêm Moçambique entre os países mais afectados a nível mundial, com uma taxa de prevalência de 12,5% entre adultos.
Os dados reforçam que, apesar da expansão do tratamento, persistem desafios estruturais ligados ao diagnóstico tardio, abandono do tratamento e baixa adesão, factores que continuam a dificultar o controlo efectivo da epidemia no país. |POR : CARLOS ALBERTO |
Fonte: Lusa; Gabinete Parlamentar de Prevenção e Combate ao VIH/SIDA.