Regresso silencioso de Manuel Chang a Moçambique levanta novas incógnitas sobre o caso das dívidas ocultas
O antigo ministro das Finanças, Manuel Chang, já se encontra em território nacional, segundo relatos de passageiros que partilharam o mesmo voo que o trouxe de volta a Maputo.
De acordo com fontes ouvidas, Chang chegou no domingo (5), a bordo do voo ET 819 da Ethiopian Airlines, que aterrou no Aeroporto Internacional de Maputo por volta das 13h20. Testemunhas descrevem um regresso discreto, mas marcado por sinais visíveis de fragilidade física — o antigo governante apresentava dificuldades de mobilidade, sobretudo no braço e perna direitos.
No mesmo voo seguiam membros da Assembleia da República de Moçambique, incluindo deputados da FRELIMO e do Movimento Democrático de Moçambique, alguns dos quais terão estado próximos do ex-ministro durante a viagem.
A chegada acontece dias depois da sua libertação pelas autoridades dos Estados Unidos, onde permaneceu detido por mais de sete anos no âmbito do escândalo das dívidas ocultas — um dos maiores casos financeiros da história recente de Moçambique. Chang foi condenado em 2025 por crimes relacionados com fraude e branqueamento de capitais.
O regresso ao país reacende agora questões ainda sem resposta: apesar dos processos pendentes em solo moçambicano, o seu enquadramento judicial continua envolto em segredo, sem indicações claras sobre os próximos passos das autoridades.
Num caso que marcou profundamente a confiança nas instituições públicas, a presença de Chang em território nacional pode representar o início de um novo capítulo — ou o prolongar de um silêncio que persiste há anos. (Integrite_MZ)