O Governo de Moçambique vai passar a financiar directamente as operações militares das tropas do Ruanda destacadas na província de Cabo Delgado, após o fim do apoio financeiro da União Europeia.
A informação foi tornada pública pelo Ministro das Relações Exteriores do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, através de uma publicação na rede social X, antigo Twitter.
Segundo o governante ruandês, a decisão surge depois de um prolongado impasse diplomático em Bruxelas, onde os pedidos de financiamento apresentados por Kigali e Maputo deixaram de avançar devido à resistência de alguns Estados-membros europeus.
Olivier Nduhungirehe afirmou que o apoio europeu à missão militar acabou por ser “politizado”, acusando alguns países de transformarem o debate de segurança numa crítica directa ao Ruanda.
O ministro destacou ainda que a intervenção militar ruandesa, iniciada em Julho de 2021, permitiu recuperar zonas anteriormente afectadas pelo terrorismo, incluindo o regresso das populações deslocadas, reabertura de escolas e retoma de actividades económicas.
Segundo Kigali, a presença das tropas ruandesas também garantiu segurança aos grandes projectos de Gás Natural Liquefeito em Cabo Delgado, avaliados em cerca de 50 mil milhões de dólares.
Até agora, os mais de 2.500 militares ruandeses destacados em Moçambique eram financiados através da Facilidade Europeia para a Paz (EPF). Contudo, o apoio termina oficialmente neste mês de Maio.
Apesar da confirmação feita pelo Governo ruandês, as autoridades moçambicanas ainda não divulgaram publicamente os valores do novo acordo nem a origem dos fundos que serão usados para manter as tropas no terreno.
Com o novo entendimento bilateral, Maputo e Kigali pretendem garantir a continuidade das operações militares contra grupos insurgentes activos em distritos como Palma e Mocímboa da Praia, considerados estratégicos para a estabilidade económica e energética do país. (Vozafricano)