OMS condena ataques xenófobos na África do Sul após morte de moçambicanos
A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou profunda preocupação com a recente escalada de violência contra cidadãos estrangeiros na África do Sul, depois de relatos de ataques que provocaram mortes, deslocamentos forçados e um clima crescente de insegurança em várias comunidades.
O posicionamento foi tornado público pelo Director-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, através de uma mensagem divulgada na rede social X, onde classificou a actual onda de xenofobia como um acontecimento incompatível com os valores históricos de liberdade, solidariedade e justiça que marcaram a luta sul-africana contra o apartheid.
Segundo Tedros, entre as vítimas mortais dos ataques registados em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental, encontram-se pelo menos sete cidadãos moçambicanos e cinco etíopes. Além das mortes, milhares de pessoas terão abandonado as suas residências por receio de novos actos de violência.
Nas últimas semanas, manifestações dirigidas contra imigrantes intensificaram-se em diferentes pontos da África do Sul.
Alguns grupos exigem a saída de estrangeiros em situação irregular, aumentando as tensões sociais e obrigando as autoridades a reforçarem medidas de segurança em determinadas zonas.Ao comentar a situação, o responsável da OMS recordou o papel desempenhado por vários países africanos durante a luta contra o regime do apartheid, sublinhando que o continente demonstrou, ao longo da história, uma forte tradição de solidariedade para com o povo sul-africano.
Tedros defendeu que quaisquer preocupações relacionadas com imigração, emprego ou segurança devem ser tratadas através das instituições competentes e dentro do quadro legal, rejeitando actos de violência colectiva contra comunidades vulneráveis.
O pronunciamento surge num momento em que cresce a pressão internacional sobre Pretória para reforçar a protecção de cidadãos estrangeiros e garantir que os responsáveis pelos ataques sejam responsabilizados. Enquanto isso, organizações de direitos humanos continuam a alertar para o impacto humanitário da crise e para os riscos de agravamento da instabilidade social caso a situação não seja controlada.
A nova vaga de violência reacendeu o debate sobre a convivência entre comunidades locais e migrantes na África do Sul, país que continua a acolher milhões de cidadãos provenientes de diferentes nações africanas em busca de oportunidades económicas e melhores condições de vida. (Vozafricano)