O Governo de Moçambique voltou a manifestar preocupação com o agravamento do ambiente de insegurança enfrentado por cidadãos estrangeiros em algumas regiões da África do Sul, numa altura em que grupos anti-imigração continuam a pressionar as autoridades sul-africanas a adoptarem medidas mais rígidas contra imigrantes em situação irregular.
Num comunicado divulgado pelo Gabinete de Informação, o Executivo refere que as províncias de Gauteng e Mpumalanga permanecem entre as zonas mais sensíveis, registando manifestações e discursos hostis contra cidadãos estrangeiros.
As cidades de Joanesburgo, Pretória e Nelspruit figuram entre os locais onde a tensão continua a ser acompanhada de perto pelas autoridades.O documento indica ainda que a situação está a provocar movimentos de retorno de cidadãos moçambicanos que residiam na África do Sul.
Na província de KwaZulu-Natal, vários nacionais têm optado por regressar voluntariamente ao país através dos postos fronteiriços de Kosi Bay e Ponta do Ouro, alegando receios relacionados com o clima de insegurança.Apesar do aumento do número de regressos voluntários, o Governo observa uma diminuição dos pedidos formais de repatriamento.
Segundo as autoridades, os procedimentos migratórios exigidos pelas instituições sul-africanas têm influenciado esta tendência.
Entretanto, decorrem os preparativos para a repatriação dos corpos de cinco cidadãos moçambicanos que perderam a vida em episódios associados à recente onda de violência xenófoba registada em Mossel Bay, na província do Cabo Ocidental.
Face ao cenário, o Executivo garante que as representações diplomáticas e consulares moçambicanas continuam mobilizadas para acompanhar a evolução da situação, prestar apoio aos cidadãos afectados e manter contacto permanente com as autoridades sul-africanas.
A poucos dias do prazo de 30 de Junho, apontado por alguns movimentos anti-imigração como data limite para o endurecimento das acções contra estrangeiros, cresce a apreensão entre milhares de moçambicanos que vivem e trabalham no país vizinho, enquanto se aguardam novos desenvolvimentos sobre a resposta das autoridades sul-africanas.