O cenário salarial em Moçambique voltou a registar diferenças entre o sector privado e a Função Pública, depois de o Governo ter aprovado novos ajustes salariais apenas para trabalhadores do sector privado.
Reunido esta terça-feira na sua XI Sessão Ordinária, o Conselho de Ministros aprovou a actualização dos salários mínimos no sector privado, com aumentos que variam entre 3% e 9%, dependendo da actividade económica.
A medida resulta do consenso alcançado na Comissão Consultiva do Trabalho (CCT) e terá efeitos retroactivos a partir de 1 de Abril de 2026, abrangendo várias categorias profissionais do sector privado em todo o país.
Apesar da decisão ser vista como um alívio parcial para alguns trabalhadores, a CONSILMO (Confederação Nacional dos Sindicatos Livres e Independentes de Moçambique) considera que o reajuste ainda é insuficiente para responder ao custo de vida actual, defendendo que muitas famílias continuam sob forte pressão económica.
Em contraste, o Governo confirmou que não haverá qualquer aumento salarial para os funcionários públicos neste ciclo. Fontes citadas pela Miramar indicam que o tema não chegou sequer a ser debatido na CCT, fechando assim a possibilidade de revisão salarial na Função Pública.
Com esta decisão, mantém-se inalterada a realidade dos servidores do Estado, que não registam actualização dos salários desde a introdução da Tabela Salarial Única (TSU) em 2022, período em que o salário mínimo foi fixado em 8.758,00 meticais.
A ausência de reajuste no sector público, num contexto de subida de preços e pressão inflacionária, volta a levantar preocupações sobre o poder de compra dos trabalhadores do Estado e o equilíbrio das políticas salariais no país. (Vozafricano)