Moçambique prepara-se para uma atualização salarial que já está a gerar reações em vários sectores. Após negociações na Comissão Consultiva do Trabalho, foi alcançado um acordo para o aumento de até 10% nos salários mínimos em todos os oito sectores de actividade, com efeitos retroativos a partir de 1 de abril de 2026.
A decisão surge num contexto económico delicado, marcado por inflação e aumento do custo de vida, o que levanta dúvidas sobre o impacto real da medida no bolso dos trabalhadores. Embora o reajuste seja visto como um avanço, há quem considere que está longe de responder às necessidades básicas das famílias.
A CONSILMO reconhece o esforço das negociações, mas mantém uma posição crítica. O secretário-geral Boaventura Simbine alertou que o aumento não acompanha a realidade do custo de vida, apontando que a cesta básica já ronda os 52 mil meticais, valor muito acima da maioria dos salários mínimos no país.
Do lado empresarial, o discurso é de prudência. Representantes do sector privado defendem que os 10% representam o limite possível neste momento, tendo em conta os impactos económicos recentes, incluindo choques externos e desastres naturais que afectaram a produção e a estabilidade financeira das empresas.
O Governo, por sua vez, reafirma o compromisso com a melhoria gradual das condições de vida dos trabalhadores, garantindo que continuará a trabalhar para encontrar soluções sustentáveis.
O acordo ainda precisa de passar pelo Conselho de Ministros de Moçambique para aprovação final antes de entrar plenamente em vigor.
Enquanto isso, o debate cresce: será este aumento suficiente para aliviar a pressão económica das famílias moçambicanas ou apenas um ajuste simbólico diante da realidade? (Vozafricano)
Curiosidade, será que este aumento abrange a função pública?
Curiosidade, será que este aumento abrange a função pública?