O UNICEF lançou um alerta preocupante sobre o impacto das alterações climáticas em Moçambique, indicando que mais de 5,5 milhões de crianças estão expostas a riscos severos associados a fenómenos extremos como ciclones e cheias.
De acordo com um comunicado citado pela agência Lusa, as mudanças climáticas estão a comprometer direitos básicos, afectando directamente sectores essenciais como educação, saúde, acesso à água potável, alimentação e saneamento. A organização sublinha que esta realidade está a aprofundar a pobreza e a vulnerabilidade social no país.
Um dos dados mais alarmantes apresentados pela UNICEF revela que cerca de 70% das escolas em Moçambique estão localizadas em zonas de alto risco de desastres naturais, o que fragiliza o sistema educativo e expõe milhões de crianças a interrupções constantes no processo de aprendizagem.
No total, estima-se que cerca de 16 milhões de crianças vivem no país, sendo que uma grande parte enfrenta ameaças directas provocadas por eventos climáticos extremos. A situação tem provocado deslocações massivas de comunidades, aumento da desnutrição e maior exposição a doenças, especialmente as transmitidas por água contaminada.
As recentes cheias agravaram ainda mais o cenário humanitário, afectando cerca de um milhão de pessoas, das quais metade são crianças. Segundo Omar Khan, os danos nas infra-estruturas foram significativos, com sistemas de abastecimento de água submersos, latrinas destruídas e serviços básicos comprometidos.
Face a este contexto, muitas famílias passaram a recorrer a fontes de água inseguras, aumentando o risco de doenças como diarreia, sobretudo entre os mais novos, criando um ciclo contínuo de vulnerabilidade.
Para responder à crise, o UNICEF estima necessitar de cerca de 34 milhões de dólares nos próximos seis meses, com o objectivo de apoiar aproximadamente 450 mil pessoas, incluindo 225 mil crianças, garantindo acesso a serviços essenciais.
A organização alerta ainda que o financiamento global para a educação em contextos de crise climática continua extremamente baixo, representando menos de 1,5% dos fundos disponíveis, o que dificulta a recuperação e aumenta o risco de repetição dos impactos negativos no futuro.
Perante este cenário, o UNICEF reforça a necessidade urgente de acções coordenadas e investimento internacional para proteger as crianças moçambicanas, consideradas as mais vulneráveis face aos efeitos das alterações climáticas. (Vozafricano )