O Irão manifestou disponibilidade para pôr fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta, caso os Estados Unidos da América (EUA) suspendam o bloqueio económico imposto a Teerão e aceitem encerrar a guerra em curso no Médio Oriente.
A proposta foi avançada através de canais diplomáticos e divulgada pela agência Associated Press (AP), que cita duas fontes ligadas ao processo sob anonimato. Segundo a mesma fonte, a mensagem terá sido transmitida ao governo norte-americano com apoio do Paquistão, num movimento que tenta abrir caminho para um cessar-fogo mais estável e reduzir o impacto económico global do conflito.
A medida, caso aceite, poderá adiar as discussões sobre o programa nuclear iraniano, um dos principais pontos de tensão que motivaram a ofensiva militar iniciada em 28 de Fevereiro, envolvendo os EUA e Israel contra o Irão.
Apesar da proposta, o Presidente norte-americano, Donald Trump, aparenta relutância em aceitar o acordo. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que a equipa de segurança nacional do Presidente reuniu-se para discutir a oferta iraniana, mas não revelou detalhes sobre a posição oficial da administração.
“Trump irá pronunciar-se sobre o assunto mais tarde”, afirmou Leavitt, citada pela imprensa internacional.
O impasse em torno de Ormuz continua a gerar tensão, mesmo com um cessar-fogo considerado frágil. O Estreito é estratégico porque por ali passa cerca de um quinto do petróleo e gás comercializado no mundo em tempos de paz, tornando qualquer bloqueio um choque directo para o mercado energético global.
Analistas apontam que o bloqueio norte-americano tem como objectivo principal impedir o Irão de vender petróleo, cortando as receitas que sustentam o Estado iraniano e enfraquecendo a sua capacidade de manter a guerra. A pressão económica, segundo a AP, pode inclusive forçar Teerão a reduzir produção por falta de capacidade de armazenamento.
Ao mesmo tempo, o encerramento do Estreito de Ormuz colocou Trump sob forte pressão interna e externa, já que os preços do petróleo e da gasolina dispararam num momento politicamente sensível nos EUA, às vésperas de eleições intercalares consideradas decisivas.
A crise também afecta directamente os aliados norte-americanos no Golfo, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Qatar, que dependem do Estreito para exportar petróleo e gás.
O bloqueio gerou consequências económicas em cadeia. Países de várias regiões já começaram a exigir o fim da restrição, devido ao aumento do custo de produtos essenciais, como combustíveis, fertilizantes e alimentos.
A Associated Press indica ainda que a proposta iraniana foi inicialmente divulgada pelo portal Axios, e surgiu durante uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão à Rússia, um aliado histórico de Teerão e actor central na diplomacia regional.
O Estreito de Ormuz, além do seu peso económico, representa uma das maiores vantagens estratégicas do Irão, pois a capacidade de bloquear o tráfego marítimo transforma a rota numa arma de pressão geopolítica capaz de afectar o mundo inteiro.
Por enquanto, a comunidade internacional observa com expectativa a resposta dos Estados Unidos, numa altura em que qualquer prolongamento do conflito poderá empurrar a economia global para um cenário ainda mais instável. (Vozafricano)