⚠️ NOTA DE CONTEÚDO SENSÍVEL
A reportagem a seguir contém informações sobre violência, mortes e actos de xenofobia. O conteúdo pode ser perturbador para alguns leitores. Recomenda-se discrição, especialmente para pessoas sensíveis a temas relacionados com violência e tragédias humanas__DIRECAO VOZAFRICANO
A crise provocada pelos ataques xenófobos na África do Sul continua a agravar-se e já resultou na morte de sete cidadãos moçambicanos, além do regresso forçado de mais de 800 compatriotas a Moçambique.
Segundo informações divulgadas pelo Gabinete de Informação (Gabinfo), cinco das vítimas perderam a vida directamente em consequência dos actos de violência registados na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana do Cabo Ocidental. Outras duas morreram num acidente de viação quando tentavam regressar a Moçambique em viatura particular para escapar à crescente insegurança.
As autoridades moçambicanas acompanham a evolução da situação através do Consulado de Moçambique na Cidade do Cabo, que tem prestado assistência aos cidadãos afectados pelos episódios de violência.
No último sábado, cerca de 300 moçambicanos regressaram ao país pelos seus próprios meios. Entretanto, mais de 500 compatriotas permaneceram temporariamente acolhidos num local considerado seguro no Cabo Ocidental, tendo iniciado desde segunda-feira o processo de repatriamento organizado para Moçambique.
Os cidadãos afectados são provenientes principalmente das províncias de Gaza, Inhambane, Maputo, Cidade de Maputo e Manica, regiões que tradicionalmente registam elevados níveis de migração laboral para a África do Sul.
À chegada à fronteira de Ressano Garcia, os repatriados estão a receber apoio humanitário de emergência. Cada família recebe dois kits alimentares, sendo um destinado ao consumo imediato e outro para apoiar os primeiros dias de reintegração nas respectivas comunidades de origem.
O Governo moçambicano manifestou preocupação com a possibilidade de agravamento da situação. As autoridades referem que grupos anti-imigrantes continuam a exigir a saída de determinados estrangeiros da África do Sul até ao próximo dia 30 de Junho, cenário que poderá aumentar a pressão sobre milhares de trabalhadores migrantes.
Face à volatilidade da situação, instituições como o Instituto Nacional para as Comunidades Moçambicanas no Exterior (INACE), o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e as missões diplomáticas moçambicanas na África do Sul permanecem mobilizadas para acompanhar os desenvolvimentos e apoiar os cidadãos afectados.
O aumento do número de vítimas está a gerar crescente preocupação em Moçambique, sobretudo porque muitos dos afectados atravessaram a fronteira em busca de melhores condições de vida e sustento para as suas famílias. Enquanto prosseguem os esforços de assistência e repatriamento, aumenta também a expectativa sobre as medidas que serão tomadas pelas autoridades sul-africanas para conter a violência e garantir a segurança das comunidades migrantes.