Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou esta segunda-feira uma visita de trabalho a Moçambique que poderá influenciar os próximos passos da política económica nacional.
Durante cinco dias, especialistas da instituição financeira internacional vão analisar a situação das contas públicas, avaliar as medidas de consolidação fiscal implementadas pelo Governo e discutir a possibilidade de um novo programa de assistência financeira ao país.
A visita, que decorre entre 8 e 12 de Junho, surge numa altura em que Moçambique procura equilibrar as finanças públicas, estimular o crescimento económico e enfrentar desafios relacionados com a dívida, pressão fiscal e necessidades de investimento em sectores estratégicos.
Segundo informações avançadas pelo Ministério das Finanças, os encontros entre o Governo e a missão do FMI estarão centrados na identificação de mecanismos capazes de reduzir os desequilíbrios macroeconómicos e criar condições para um eventual Programa de Facilidade de Crédito, instrumento utilizado pelo Fundo para apoiar países que enfrentam dificuldades económicas e financeiras.
A delegação é liderada por Pablo López Murphy, chefe da equipa do FMI para Moçambique, e deverá reunir-se com diversas instituições governamentais para avaliar o desempenho económico do país e os resultados das reformas em curso.
A visita acontece poucos meses depois de Moçambique ter tomado uma decisão considerada significativa nas relações com o Fundo Monetário Internacional. Em Abril deste ano, o Governo anunciou o pagamento integral e antecipado de uma dívida de aproximadamente 701,4 milhões de dólares, correspondente a financiamentos obtidos através do Fundo para a Redução da Pobreza e Crescimento (PRGT).
A operação permitiu liquidar completamente os compromissos financeiros pendentes junto do FMI relacionados com programas de assistência aprovados em 2019, 2020 e 2022.Na altura, a ministra das Finanças, Carla Loveira, explicou que o pagamento foi efectuado com recurso às reservas internacionais líquidas do país, garantindo que a decisão não comprometeu o funcionamento das instituições públicas nem exigiu alterações ao Orçamento do Estado.
Apesar da liquidação antecipada da dívida, o regresso do FMI a Maputo demonstra que a cooperação entre as duas partes continua activa. Especialistas económicos consideram que a visita poderá servir para avaliar a sustentabilidade das finanças públicas e determinar se Moçambique reúne condições para beneficiar de novos mecanismos de apoio financeiro em condições concessionais.
O interesse do FMI surge também num contexto marcado pela necessidade de aumentar receitas internas, controlar despesas públicas e garantir estabilidade económica num cenário internacional cada vez mais volátil, influenciado por conflitos geopolíticos, oscilações nos preços das matérias-primas e incertezas nos mercados financeiros.
Para o Governo, o desafio passa por demonstrar que as reformas fiscais e económicas implementadas nos últimos meses estão a produzir resultados concretos.
Para o FMI, a missão representa uma oportunidade para avaliar a capacidade do país em manter a estabilidade macroeconómica e assegurar uma gestão sustentável das finanças públicas.Os resultados das reuniões poderão influenciar futuras decisões sobre financiamento internacional, confiança dos investidores e perspectivas económicas de Moçambique nos próximos anos….