Depois de mais de uma década afastado das exportações de gado bovino, Moçambique voltou a colocar animais no mercado internacional. A primeira operação enviou 550 cabeças de gado para compradores externos e abre uma nova oportunidade para produtores, transportadores e toda a cadeia pecuária nacional.
Moçambique voltou a exportar gado bovino para o mercado internacional, encerrando um período de aproximadamente 15 anos sem operações comerciais regulares deste tipo, num movimento que poderá marcar uma nova fase para o sector pecuário nacional.
A retoma foi anunciada pela Câmara do Comércio de Moçambique (CCM), após a realização da primeira exportação, que envolveu 550 cabeças de gado bovino destinadas aos mercados externos.
A operação foi realizada através de um navio especializado no transporte de animais vivos, equipado com tecnologia própria para garantir condições adequadas de conservação e segurança durante a viagem.
Primeira operação marca nova fase para pecuária nacional
Segundo a CCM, o navio utilizado pertence a um grupo restrito de embarcações existentes no mundo com capacidade específica para este tipo de transporte.
Actualmente, existem cerca de 110 navios com esta tecnologia em operação globalmente, tornando a operação realizada em Moçambique um marco relevante para a integração do país no comércio internacional de animais vivos.
Para a organização empresarial, o regresso das exportações representa muito mais do que uma venda externa.
A iniciativa é vista como uma oportunidade para reactivar toda uma cadeia económica ligada à produção pecuária.
Produtores rurais podem beneficiar com nova procura
A retoma das exportações poderá aumentar a procura por gado produzido localmente e criar novos incentivos para os criadores melhorarem a qualidade dos seus animais.
Segundo a CCM, o impacto deverá espalhar-se por vários sectores ligados à pecuária, incluindo:
- produtores de gado;
- fabricantes e fornecedores de rações;
- empresas de medicamentos veterinários;
- transportadores;
- matadouros;
- operadores logísticos.
A expectativa é que o aumento da actividade comercial estimule investimentos na produção nacional e fortaleça a cadeia de valor agro-pecuária.
Um mercado perdido durante 15 anos volta a abrir portas
Durante cerca de uma década e meia, Moçambique esteve praticamente ausente do mercado internacional de exportação de gado bovino.
A retoma surge num momento em que o país procura diversificar as suas fontes de rendimento e aumentar a participação do sector agrícola e pecuário nas exportações nacionais.
Para especialistas do sector, o desafio será garantir que a produção interna consiga responder às exigências dos mercados externos, sobretudo em matéria de:
- qualidade dos animais;
- controlo sanitário;
- rastreabilidade;
- capacidade regular de fornecimento.
Empresários nacionais impulsionam operação
A Câmara do Comércio destacou o papel do empresário Mohamed Salim, do grupo AFRIN, apontando a sua contribuição como fundamental para viabilizar a operação.
O grupo empresarial moçambicano possui investimentos em áreas como:
- agro-pecuária;
- comércio;
- indústria.
Segundo a CCM, a iniciativa exigiu coordenação entre diferentes actores e uma visão de longo prazo para ultrapassar desafios comerciais e operacionais.
O desafio agora é transformar exportação em indústria sustentável
Embora a primeira exportação represente um avanço importante, o sector pecuário moçambicano ainda enfrenta desafios estruturais.
Entre os principais obstáculos estão:
- baixa produtividade;
- acesso limitado a financiamento;
- custos elevados de produção;
- necessidade de melhorar infra-estruturas;
- reforço dos serviços veterinários.
A consolidação das exportações dependerá da capacidade do país em manter uma oferta regular e competitiva.
Gado bovino pode tornar-se novo produto estratégico de exportação
A saída das primeiras 550 cabeças de gado representa um sinal de recuperação para um sector que durante anos teve pouca presença no comércio internacional.
Se a operação ganhar continuidade, Moçambique poderá transformar a pecuária numa nova fonte de receitas externas, criar empregos rurais e fortalecer a economia das comunidades produtoras.
O próximo desafio será garantir que esta primeira exportação não seja apenas um acontecimento isolado, mas o início de uma nova indústria pecuária orientada para o mercado global.
Fonte: Câmara do Comércio de Moçambique / Jornal Evidências e VOZAFRICANO