com valores entre 1 e 20 meticais; mobilização arrecadou 1,067 milhão de meticais e transformou-se num gesto de solidariedade para além do caso judicial
A campanha de solidariedade lançada para apoiar o activista e director do Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, ultrapassou a meta estabelecida e arrecadou 1.067.000 meticais em apenas alguns dias, numa mobilização que envolveu cerca de 18.500 cidadãos de diferentes pontos do país.
O movimento surgiu após a condenação de Nuvunga ao pagamento de uma indemnização de 1 milhão de meticais no processo movido pelo presidente do partido PODEMOS, Albino Forquilha, por alegada calúnia e difamação. Contudo, durante uma conferência de imprensa realizada esta segunda-feira, o activista esclareceu que o valor não será entregue de imediato, uma vez que a defesa já interpôs recurso, suspendendo temporariamente a execução da sentença.Segundo Nuvunga, os números revelam uma participação popular sem precedentes.
A maioria das contribuições foi feita por cidadãos que enviaram entre 1 e 20 meticais através de plataformas de carteira móvel, demonstrando, segundo o activista, que a campanha foi sustentada essencialmente por pequenos contributos individuais.“O que vimos foi um movimento do povo moçambicano, do Rovuma ao Maputo e do Zumbo ao Índico. É uma demonstração clara de que os cidadãos querem fazer ouvir a sua voz perante aquilo que consideram injustiças”, afirmou.
Os dados apresentados mostram ainda que, em alguns casos, cidadãos utilizaram praticamente todo o saldo disponível nas suas contas móveis para participar na campanha, reforçando o simbolismo da iniciativa.Com a meta atingida e um excedente de 67 mil meticais disponível, Adriano Nuvunga anunciou uma proposta que rapidamente chamou a atenção da opinião pública: direccionar o valor excedente para apoiar os filhos do falecido advogado Elvino Dias, assassinado em Outubro de 2024.
De acordo com o activista, a intenção é utilizar os fundos para adquirir agasalhos e vestuário adequado para as crianças enfrentarem o actual período de frio. O gesto foi apresentado como uma forma de transformar a onda de solidariedade recebida numa ajuda concreta para uma família que continua a enfrentar as consequências de uma perda trágica.
Durante a mesma conferência, Nuvunga voltou a criticar o que considera ser uma actuação desigual da justiça moçambicana. O activista questionou a rapidez com que o seu processo foi julgado, contrastando-a com a demora na resolução de investigações relacionadas com homicídios de figuras públicas e vítimas de violência associada a manifestações.
A mobilização em torno da campanha tornou-se um dos temas mais comentados nas redes sociais, com milhares de cidadãos a partilharem comprovativos de depósitos e mensagens de apoio. Para muitos observadores, o fenómeno ultrapassou a simples angariação de fundos, transformando-se numa demonstração pública de participação cívica e solidariedade popular.
Enquanto o recurso segue para instâncias superiores, o valor arrecadado permanecerá depositado numa conta específica sob gestão dos promotores da campanha, aguardando o desfecho definitivo do processo judicial.