O antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, defendeu esta segunda-feira (27), na cidade de Lichinga, província do Niassa, a necessidade de Moçambique adoptar uma gestão mais autónoma e soberana dos seus recursos naturais, como forma de garantir que a riqueza nacional beneficie directamente os moçambicanos e contribua para a tão desejada independência económica.
Nyusi falava durante o II Fórum de Investimento do Niassa 2026, onde participou como orador no painel subordinado ao tema “Contributo da província do Niassa rumo à independência económica de Moçambique”.
Na sua intervenção, o antigo estadista afirmou que a independência económica não é um objectivo que se atinge de uma vez, mas sim um processo contínuo que exige disciplina nacional, envolvimento colectivo e estratégias sólidas para reduzir a dependência externa.
Segundo Nyusi, um dos caminhos centrais para alcançar essa autonomia passa por tornar o país mais auto-suficiente, investindo na capacidade interna de produção e garantindo que Moçambique consiga produzir aquilo que consome.
Para o antigo governante, a soberania económica exige também uma redução progressiva da ajuda externa, defendendo que um país que depende de financiamento externo para sobreviver continua vulnerável e sem liberdade plena de decisão.
Citado pelo jornal Notícias, Nyusi alertou que a falta de fiscalização e controlo sobre a exploração dos recursos naturais pode perpetuar a dependência e impedir que Moçambique seja realmente autónomo.
“Se os moçambicanos não conseguirem fiscalizar a exploração e gestão dos recursos naturais não serão autónomos e continuarão sempre dependentes dos outros”, afirmou.
O antigo Presidente sublinhou ainda que é necessário olhar com seriedade para a balança comercial do país, defendendo que Moçambique deve exportar mais produtos locais e reduzir a importação excessiva, o que só será possível com maior investimento na produção agrícola e industrial.
“Isso só é possível investindo mais na produção”, acrescentou.
Durante o discurso, Nyusi destacou também que o Niassa possui várias potencialidades que podem ajudar na diversificação económica, como o turismo, os recursos minerais, a fauna e flora, defendendo que estes sectores devem ser geridos com responsabilidade e visão estratégica.
Nyusi advertiu ainda que o país não deve depender apenas do gás e petróleo como base da economia, uma vez que estes recursos podem sofrer instabilidade no mercado ou até esgotar-se ao longo do tempo.
A sua intervenção no fórum surge num momento em que Moçambique enfrenta fortes desafios económicos e sociais, enquanto aumenta a expectativa pública sobre o impacto real dos recursos naturais na vida da população.
O II Fórum de Investimento do Niassa reúne autoridades, empresários e parceiros de desenvolvimento com o objectivo de discutir oportunidades económicas e atrair investimentos para uma das províncias mais ricas em recursos naturais, mas também uma das mais distantes dos grandes centros económicos do país.
Fonte: Jornal Notícias