A Fitch Ratings decidiu descer a classificação de risco de Moçambique de “CCC” para “CC”, um nível considerado extremamente elevado e próximo de incumprimento das obrigações financeiras do Estado.
De acordo com a análise, citada pela Reuters, a decisão reflecte o agravamento das condições financeiras do país e a crescente probabilidade de reestruturação da dívida externa, especialmente do único eurobônus actualmente em circulação.
A agência considera que Moçambique enfrenta um cenário crítico, com dificuldades persistentes de financiamento, défices fiscais elevados e níveis de dívida pública acima de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) previstos para os próximos anos. Estes factores aumentam significativamente o risco de um evento de crédito, seja por reestruturação da dívida ou por incumprimento total.
Segundo a Fundo Monetário Internacional (FMI), a trajectória actual da dívida moçambicana é insustentável, o que reforça a necessidade de ajustes profundos e possíveis negociações com credores internacionais.
A Fitch alerta ainda que, sem um programa sólido com o FMI, o país poderá enfrentar maiores dificuldades para aceder a financiamento externo, agravando a pressão sobre a economia e as finanças públicas.
Entre os principais desafios identificados estão também o aumento da dívida interna, que deverá atingir cerca de 40% até 2026, e o crescimento do défice da conta corrente, impulsionado pelas importações associadas aos projectos de gás natural liquefeito.
Apesar do cenário negativo, a agência reconhece alguns factores positivos, como o potencial económico dos projectos de gás na bacia do Rovuma e a redução recente da instabilidade política, que podem contribuir para uma recuperação a médio prazo.
Ainda assim, o rebaixamento do ‘rating’ representa um sinal claro de alerta para investidores e parceiros internacionais, colocando Moçambique sob maior escrutínio num contexto de crescente pressão económica global. (Vozafricano)
Fonte: Reuters