A província de Tete poderá enfrentar uma crise alimentar preocupante ainda este ano, depois de vários distritos registarem perdas severas de culturas devido à combinação de fenómenos climáticos extremos ocorridos durante a época agrícola 2025/2026.
De acordo com informações avançadas pela Rádio Moçambique (RM), pelo menos sete distritos encontram-se em risco de enfrentar fome, devido ao impacto da seca, cheias, inundações e pragas que afectaram a produção agrícola em larga escala.
Os distritos identificados como mais vulneráveis são Doa, Changara, Cahora-Bassa, Mágoè, Mutarara, além de parte dos distritos de Tete e Moatize, onde centenas de famílias perderam grande parte das suas machambas.
Citada pela Rádio Moçambique, a Directora dos Serviços das Actividades Económicas em Tete, Jacinta Ntaia, alertou que a situação pode agravar-se caso não sejam tomadas medidas urgentes para repor a capacidade produtiva da província.
Segundo a responsável, será necessário um reforço imediato de insumos agrícolas, incluindo mais de 900 toneladas de sementes diversas, para permitir que os agricultores retomem a produção e reduzam o risco de escassez alimentar.
“São necessárias mais novecentas toneladas de semente diversa para potenciar a produção agrícola nos distritos em causa”, afirmou Jacinta Ntaia, citada pela RM.
Dados preliminares indicam que os efeitos climáticos registados na época agrícola 2025/2026 resultaram na perda de mais de 50 mil hectares de culturas diversas em toda a província, afectando directamente mais de 40 mil famílias produtoras, muitas delas dependentes exclusivamente da agricultura de subsistência.
O cenário aumenta a pressão sobre as autoridades locais e nacionais, numa altura em que várias regiões do país enfrentam igualmente desafios associados às mudanças climáticas, como ciclones, secas prolongadas e chuvas irregulares, que têm vindo a comprometer a estabilidade da produção alimentar.
Analistas do sector agrícola defendem que, sem intervenção rápida, o impacto poderá reflectir-se no aumento do custo de vida, subida dos preços dos produtos básicos e maior dependência de assistência alimentar em algumas comunidades rurais.
Enquanto isso, milhares de famílias em Tete vivem na incerteza, temendo que a perda das culturas desta campanha signifique um ano de dificuldades severas, sobretudo em zonas onde já existe fragilidade económica e acesso limitado a apoio técnico.
Fonte: Rádio Moçambique (RM)