Ramaphosa Reconhece Violência Contra Estrangeiros, Mas Rejeita Rótulo de Xenofobia na África do Sul
A crescente onda de violência contra imigrantes na África do Sul voltou a colocar o país no centro das atenções internacionais.
Perante o aumento dos ataques que já provocaram a morte de vários cidadãos estrangeiros, incluindo moçambicanos, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, veio a público reconhecer a gravidade da situação, mas rejeitou a ideia de que os sul-africanos sejam um povo xenófobo.As declarações foram feitas durante a visita oficial do Presidente do Quénia, William Ruto, numa altura em que milhares de imigrantes vivem momentos de incerteza e medo em várias províncias sul-africanas.A posição de Ramaphosa surge num contexto particularmente sensível.
Dados confirmados pelo Governo moçambicano indicam que pelo menos nove cidadãos moçambicanos perderam a vida nos recentes episódios de violência registados em Mossel Bay, enquanto centenas de outros foram afectados, obrigando muitos a abandonar as suas residências e meios de subsistência.Apesar da dimensão da crise, Ramaphosa insistiu que os incidentes não representam o sentimento geral da população sul-africana.
Segundo o Chefe de Estado, a maioria dos cidadãos deseja viver em paz com os restantes povos africanos, defendendo que os desafios ligados à imigração devem ser enfrentados através de mecanismos políticos e diplomáticos e não por meio da violência.Na tentativa de reduzir as tensões, Pretória anunciou o envio de emissários a vários países africanos para aprofundar o diálogo sobre migração, circulação de pessoas e cooperação económica.Durante o encontro, William Ruto defendeu uma abordagem continental para combater as causas profundas da migração.
Para o líder queniano, o fortalecimento das economias africanas e a criação de oportunidades de emprego nos países de origem são elementos fundamentais para reduzir os fluxos migratórios que alimentam tensões em diferentes regiões do continente.Entretanto, a realidade no terreno continua preocupante.
Os ataques foram associados à campanha conhecida como “March on March”, movimento que exige a expulsão de imigrantes e que tem mobilizado protestos em diversas localidades sul-africanas.Nas últimas semanas, estabelecimentos comerciais pertencentes a estrangeiros foram alvo de vandalismo, saques e destruição, obrigando centenas de famílias a procurar refúgio ou regressar aos seus países de origem.Moçambique tem sido um dos países mais afectados pela crise.
Apenas nos últimos dias, centenas de cidadãos moçambicanos regressaram através da fronteira de Ressano Garcia, muitos deles relatando cenas de violência, perseguições e destruição de bens.Segundo as autoridades sul-africanas, mais de 900 moçambicanos já deixaram o país recentemente, entre repatriamentos voluntários, deportações e regressos motivados pelo clima de insegurança.
Os relatos recolhidos junto dos regressados descrevem um ambiente de medo crescente, com informações sobre agressões, destruição de propriedades e ataques dirigidos a comunidades estrangeiras.A nova vaga de violência reacende um problema que há décadas acompanha a África do Sul.
Desde o fim do apartheid, o país tem enfrentado episódios recorrentes de tensão contra imigrantes africanos, muitas vezes alimentados por dificuldades económicas, desemprego e disputas por oportunidades de trabalho.Enquanto os governos procuram soluções diplomáticas, milhares de famílias continuam a viver entre o receio de novos ataques e a esperança de que a estabilidade regresse às comunidades afectadas.Fonte: RFI, Governo de Moçambique e autoridades sul-africanas.