Mais de 1,3 milhão de pessoas continuam a necessitar de assistência humanitária em Moçambique, sobretudo nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, afectadas pelo terrorismo, deslocamentos forçados e instabilidade social.
A informação foi avançada em Maputo pelo secretário permanente do Ministério do Trabalho, Género e Acção Social, Paulo Beirão, durante a abertura da Mesa Redonda sobre o Plano Nacional de Acção sobre Mulheres, Paz e Segurança.
Segundo o dirigente, cerca de 80% das pessoas afectadas são mulheres e crianças, consideradas os grupos mais vulneráveis aos impactos do conflito armado e da crise humanitária.
“O conflito armado, extremismo e deslocamentos têm fragilizado o tecido social”, afirmou Paulo Beirão, citado pela AIM.
O governante destacou ainda o papel das mulheres na manutenção da estabilidade comunitária, considerando a liderança feminina essencial para reduzir os impactos da violência nas zonas afectadas.
Durante o encontro, foi igualmente anunciado que o Governo prepara um novo Plano Nacional de Acção sobre Mulheres, Paz e Segurança para o período entre 2026 e 2035, após a conclusão do primeiro ciclo implementado entre 2018 e 2022.
Por sua vez, o director-executivo do Instituto para Democracia Multipartidária, Hermenegildo Mulhovo, alertou que mulheres e raparigas continuam expostas a violência sexual, pobreza extrema, deslocamentos forçados e perda de meios de subsistência, sobretudo em Cabo Delgado.
Mulhovo advertiu também que atrasos na aprovação do novo plano nacional poderão comprometer a coordenação institucional e deixar milhares de mulheres sem mecanismos adequados de protecção.
A coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, Catherine Sozi, defendeu que a mesa redonda deve servir para reforçar o compromisso nacional com a paz sustentável, inclusão social e coesão comunitária.
Já o embaixador da Irlanda em Moçambique, Patrick Empey, reafirmou a disponibilidade do seu país para apoiar técnica e financeiramente o novo plano nacional, sublinhando que a insegurança também está ligada à pobreza e exclusão social. (Vozafricano)