Pelo menos 175 crianças foram recrutadas e utilizadas por grupos terroristas na província de Cabo Delgado, revelam dados constantes do mais recente Relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas para Moçambique.
O documento volta a expor o impacto devastador do conflito armado sobre os menores, numa região onde milhares de famílias continuam deslocadas e privadas de condições básicas de segurança.
A informação foi divulgada na cidade de Maputo durante as celebrações do Dia Nacional da Mão Vermelha, dedicado à sensibilização para a protecção de crianças afectadas por conflitos armados.
Na ocasião, a representante nacional do Instituto Dallaire, Majo Joseph, alertou para a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção e protecção dos menores.
Segundo o relatório, citado pelo jornal Domingo, além dos 175 casos de recrutamento de crianças, foram igualmente registadas 552 violações graves dos direitos da criança relacionadas com o conflito em Cabo Delgado, números que continuam a preocupar organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos.
Durante a cerimónia, o representante do Parlamento Infantil de Cabo Delgado, Marcelino Flávio, apelou ao reforço da protecção das crianças, sobretudo no ambiente escolar, afirmando que muitas continuam a viver marcadas pela violência, separadas das suas famílias e privadas da oportunidade de construir um futuro em paz.
Dados apresentados pelo Governo indicam ainda que, só este ano, cerca de 124 mil pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas devido aos ataques armados na província.
Desse universo, aproximadamente 52 mil são crianças, maioritariamente provenientes dos distritos de Macomia, Mocímboa da Praia e Nangade.
Organizações humanitárias defendem que o combate ao recrutamento infantil exige uma resposta coordenada entre o Estado, comunidades e parceiros internacionais, reforçando a protecção das populações vulneráveis e criando condições para que as crianças possam regressar à escola e crescer longe da violência. (Vozafricano)