Governo prepara novo programa agrícola para substituir o Sustenta e aumentar produção nacional
O Governo moçambicano está a ultimar, em parceria com o Banco Mundial, um novo programa de desenvolvimento agrícola que pretende impulsionar a produção de alimentos, fortalecer as cadeias de valor do agronegócio e reduzir a dependência das importações.
A iniciativa deverá entrar em funcionamento antes do arranque da campanha agrária 2026/2027.
O novo projecto surge após a descontinuação do programa Sustenta, encerrado no ano passado na sequência da tomada de posse do novo Executivo liderado pelo Presidente Daniel Chapo. As autoridades acreditam que o novo modelo poderá responder aos desafios que continuam a limitar o crescimento do sector agrícola.
As linhas gerais da iniciativa foram apresentadas durante uma visita de trabalho do ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Mito Albino, à província de Sofala.
A missão contou igualmente com a participação do representante do Banco Mundial em Moçambique, Fily Sissoko, e de equipas técnicas responsáveis pela elaboração do Programa de Desenvolvimento das Cadeias de Valor do Agronegócio de Moçambique (MozAgriBiz).
De acordo com o Ministério da Agricultura, o MozAgriBiz será desenvolvido em articulação com a iniciativa Agri-Connect, também financiada pelo Banco Mundial, e terá como foco principal a mobilização de investimento privado para expandir a produção agrícola, melhorar o processamento de produtos e aumentar a competitividade do sector.
Durante a visita, Roberto Mito Albino defendeu que o aumento da produção nacional depende de um maior acesso ao financiamento para os produtores e de investimentos de grande escala capazes de reduzir a dependência de alimentos importados.
No distrito do Dondo, o governante orientou as autoridades locais a identificarem novas áreas agrícolas para aumentar significativamente a superfície cultivada, passando dos actuais dois mil hectares para cerca de dez mil hectares.Por sua vez, Fily Sissoko afirmou que a missão permitiu identificar vários constrangimentos que continuam a afectar o desempenho da agricultura nacional, entre eles deficiências nos sistemas de irrigação, drenagem, estradas rurais, acesso a sementes melhoradas, fertilizantes e serviços de extensão agrária.
Apesar do optimismo do Governo e do Banco Mundial, especialistas alertam que o sucesso do novo programa dependerá da capacidade de resolver problemas que comprometeram iniciativas anteriores, como dificuldades de financiamento, fraca assistência técnica aos produtores, limitações na comercialização e sustentabilidade reduzida dos investimentos realizados.
Com esta nova estratégia, o Executivo espera criar bases para aumentar a produção de alimentos, fortalecer a segurança alimentar e tornar a agricultura num dos principais motores do crescimento económico de Moçambique. (Vozafricano)