O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que Moçambique está cada vez mais perto de concluir um novo programa de assistência financeira, numa altura em que o Governo intensifica medidas de consolidação fiscal, controlo da dívida pública e reforço da governação económica.
A indicação foi transmitida durante um encontro de alto nível realizado na terça-feira, em Paris, entre a Ministra das Finanças, Carla Loveira, e o Director do Departamento Africano do FMI, Zeine Zeidane, à margem do Fórum de Paris.
A reunião serviu para avaliar o estado das relações entre as duas partes e analisar os progressos económicos registados pelo país nos últimos meses.
Durante as conversações, a governante moçambicana apresentou uma avaliação detalhada da situação económica nacional, destacando os esforços desenvolvidos para restaurar o equilíbrio das finanças públicas, melhorar a gestão da dívida e reforçar mecanismos de transparência e responsabilidade na administração do Estado. Segundo fontes oficiais, estas medidas fazem parte da estratégia do Executivo para criar condições de maior estabilidade macroeconómica e recuperar a confiança dos parceiros internacionais.Do lado do FMI, Zeine Zeidane manifestou satisfação com os resultados alcançados e revelou já ter analisado o relatório elaborado pela missão técnica do Fundo que esteve recentemente em Maputo, liderada por Pablo López.
A missão avaliou o desempenho económico do país e o cumprimento das reformas consideradas essenciais para um futuro entendimento entre as partes.Com base nas conclusões preliminares dessa avaliação, o responsável do FMI afirmou que Moçambique está “no bom caminho” para alcançar um novo acordo financeiro com a instituição.
A posição representa um sinal positivo para o Governo, que procura assegurar apoio internacional para sustentar reformas estruturais e impulsionar o crescimento económico.
O eventual novo programa poderá abrir espaço para maior assistência financeira e técnica, além de reforçar a confiança de investidores e parceiros de cooperação num momento em que o país procura consolidar a recuperação económica e enfrentar desafios ligados ao desenvolvimento, emprego e redução da pobreza.
Apesar do optimismo demonstrado pelo FMI, Zeidane recomendou a continuidade das reformas em curso, defendendo que a manutenção da disciplina fiscal e da boa governação será determinante para garantir benefícios duradouros para a população moçambicana.
O encontro em Paris surge num contexto em que Moçambique procura fortalecer a sua posição junto das instituições financeiras internacionais, depois de vários anos marcados por dificuldades económicas, pressão sobre as contas públicas e necessidade de financiamento para apoiar projectos de desenvolvimento e programas sociais.
O desfecho das negociações com o FMI poderá, por isso, representar um marco importante para a estratégia económica do país nos próximos anos.