Depois de um ano marcado por cheias devastadoras, perdas agrícolas e aumento do custo de vida, um novo alerta internacional volta a colocar Moçambique no centro das preocupações climáticas. Especialistas avisam que o fenómeno El Niño, já em desenvolvimento, poderá comprometer a próxima campanha agrícola e aumentar o número de famílias em situação de insegurança alimentar.
Segundo um relatório da Famine Early Warning Systems Network (FEWS NET), as consequências das cheias registadas no início do ano ainda estão longe de terminar. Em muitas zonas afectadas, agricultores continuam a enfrentar solos degradados, áreas inundadas e dificuldades para obter sementes, factores que atrasaram a produção agrícola e reduziram as perspectivas de recuperação.
O documento alerta que, caso as previsões climáticas se confirmem, o sul e o centro de Moçambique poderão registar um início tardio da época chuvosa, menos precipitação do que o normal e temperaturas acima da média. Estas condições poderão comprometer as colheitas da campanha agrícola 2026/2027, numa altura em que milhares de famílias ainda tentam recuperar das perdas sofridas este ano.
A preocupação aumenta porque os preços dos alimentos continuam elevados. Em vários mercados do sul do País, o milho já apresenta preços significativamente acima da média dos últimos anos, enquanto o arroz também regista aumentos, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.
Embora a assistência humanitária e as colheitas da segunda época agrícola possam aliviar temporariamente a situação em algumas regiões, os especialistas alertam que este alívio poderá durar pouco. Com a redução das reservas alimentares a partir de Outubro, muitas famílias poderão voltar a depender quase exclusivamente da compra de alimentos, justamente num período em que os preços tendem a subir.
As projecções indicam que entre 1,5 e 1,99 milhões de pessoas poderão necessitar de assistência alimentar entre Dezembro de 2026 e Janeiro de 2027, caso o cenário climático previsto se concretize.
Perante este quadro, especialistas defendem que o reforço da produção agrícola, o apoio aos pequenos produtores e medidas de mitigação dos impactos climáticos serão decisivos para evitar um agravamento da situação alimentar no País.
A evolução do fenómeno El Niño continuará a ser acompanhada pelas autoridades e organismos internacionais, que alertam para a necessidade de preparação antecipada das comunidades mais vulneráveis. (vozafricano)