A justiça da Suíça retomou esta terça-feira o julgamento relacionado com o escândalo das dívidas ocultas de Moçambique, colocando novamente o caso no centro das atenções internacionais.
Desta vez, o processo envolve um antigo funcionário do Credit Suisse, acusado de branqueamento de capitais ligado ao esquema financeiro conhecido como “tuna bonds”.
Segundo informações avançadas pela Reuters, o ex-responsável de conformidade do banco é suspeito de ter facilitado, em 2016, a transferência de mais de 764 mil dólares provenientes de actividades criminosas para Abu Dhabi, dificultando a localização dos fundos pelas autoridades.
Os procuradores suíços alegam ainda que o Credit Suisse falhou na comunicação imediata de operações suspeitas às autoridades de combate ao crime financeiro. O relatório só teria sido entregue em 2019, quando o escândalo já tinha dimensão internacional.
O julgamento surge semanas depois de o Tribunal Penal suíço arquivar um processo relacionado contra o UBS, após considerar que o Credit Suisse deixou de existir juridicamente depois da fusão entre os dois bancos em 2023.
O caso das dívidas ocultas remonta aos empréstimos de cerca de 2,7 mil milhões de dólares concedidos às empresas públicas moçambicanas EMATUM, ProÍndicus e MAM entre 2013 e 2014.
As dívidas foram contraídas com garantias do Estado sem aprovação parlamentar nem conhecimento dos parceiros internacionais, desencadeando uma das maiores crises económicas da história recente do país.
Após a revelação do escândalo, em 2016, Moçambique perdeu apoio financeiro externo, enfrentou forte desvalorização do metical e aumento acelerado da inflação.
As investigações internacionais também apontaram suspeitas de subornos e corrupção envolvendo antigos dirigentes moçambicanos, banqueiros internacionais e intermediários financeiros ligados à estruturação dos empréstimos. (Vozafricano)