Benefícios revistos em alta: ex-Presidentes passam a custar milhões mensais ao Estado
Num momento em que o discurso oficial insiste em contenção financeira, uma decisão recente do Chefe de Estado, Daniel Chapo, está a provocar forte debate público. O Governo avançou com a revisão dos benefícios atribuídos aos antigos Presidentes, elevando os seus vencimentos para níveis equiparados ao do actual líder.
A medida abrange Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi, três figuras centrais da política nacional que passam agora a beneficiar de um pacote financeiro reforçado. Segundo dados divulgados pelo Jornal Verdade, o custo total mensal destes encargos atinge cerca de 15 milhões de meticais.
O valor não se resume aos salários base. Inclui uma série de regalias associadas ao estatuto de antigo Chefe de Estado, como subsídios de representação e residência, segurança pessoal permanente, manutenção de viaturas e cobertura de despesas médicas, inclusive no exterior.
A decisão surge numa altura delicada para as contas públicas. Sectores como saúde e educação continuam sob pressão, com profissionais a exigirem melhores condições e actualizações salariais, enquanto programas sociais permanecem com recursos limitados.
Este contraste está a alimentar críticas sobre prioridades na gestão do erário. Analistas apontam que o peso crescente das despesas com a elite política pode agravar a percepção de desigualdade, num país onde grande parte da população enfrenta dificuldades económicas.
Apesar de o Executivo defender a medida como parte do respeito institucional pelos antigos Chefes de Estado, o impacto financeiro levanta questões sobre sustentabilidade e equilíbrio na distribuição dos recursos públicos. | POR : DOMINGOS ABÍLIO |