O programa PROFISHBLUE, financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, transformou a vida de quase três milhões de pessoas na África Austral, fortalecendo a economia azul e o comércio transfronteiriço de peixe. A iniciativa gerou emprego, aumentou a segurança alimentar e promoveu práticas sustentáveis, servindo como modelo para o desenvolvimento económico e social na região.
O Programa para Melhorar a Governação das Pescas e os Corredores Comerciais da Economia Azul (PROFISHBLUE), financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) com 9,2 milhões de dólares, está a mudar a vida de quase três milhões de pessoas nos 16 Estados-Membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). A iniciativa promoveu a produção sustentável, aumentou o comércio transfronteiriço de peixe e criou emprego, ao mesmo tempo que reforçou a segurança alimentar e a resiliência climática na região.
Nos últimos quatro anos, o programa gerou volumes de comércio transfronteiriço superiores a 500 mil toneladas, beneficiando diretamente comunidades pesqueiras e pequenas empresas envolvidas na cadeia de valor do peixe. O projeto também fortaleceu capacidades de mais de 250 mil beneficiários em sete países do Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD), incluindo a República Democrática do Congo, Madagáscar, Maláui, Moçambique, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabué, através de formação, transferência de conhecimentos, fornecimento de equipamentos e veículos de transporte refrigerados.
Capacitação e inovação tecnológica
O PROFISHBLUE abordou diversas áreas críticas da economia azul, incluindo:
- Gestão sustentável da cadeia de valor do peixe e técnicas pós-colheita
- Desenvolvimento empresarial e incubação de PME
- Melhorias genéticas para espécies de tilápia endémicas
- Harmonização de normas e políticas regionais, em parceria com gabinetes de normalização e autoridades aduaneiras
- Nutrição e desenvolvimento de produtos derivados da pesca
- Planeamento de investimentos e mecanismos de financiamento
Além disso, o programa implementou sistemas de monitorização de embarcações para combater a pesca ilegal, avaliação das populações de peixes em lagos transfronteiriços e formação em inspeção de embarcações e estatísticas de capturas, consolidando práticas de governação sustentável da pesca.
Impacto social e económico
Durante o Dia Mundial das Pescas, celebrado a 21 de novembro em Gaborone, a SADC e o BAD destacaram o impacto positivo da iniciativa nas comunidades locais. Mulheres do setor pesqueiro e pequenos empresários partilharam testemunhos sobre como o programa melhorou os seus meios de subsistência, fomentando inclusão social e desenvolvimento económico.
“O PROFISHBLUE demonstrou como investimentos estratégicos na economia azul podem gerar empregos, fortalecer cadeias de valor competitivas e reduzir a pobreza, especialmente nas zonas rurais”, afirmou Neeraj Vij, Gestor Setorial Regional do BAD para as Operações Feed Africa.
O projeto também abriu portas para a integração regional, criando corredores comerciais sustentáveis e promovendo o comércio transfronteiriço de peixe, o que contribui para o crescimento económico dos países da SADC.
Opinião: modelo para a economia azul na África Austral
O PROFISHBLUE demonstra que a economia azul pode ser um motor de desenvolvimento sustentável quando acompanhada de políticas eficazes e investimento estratégico. O programa prova que, além de gerar renda, o setor pesqueiro pode aumentar a segurança alimentar, estimular o empreendedorismo local e fomentar a cooperação regional.
Para países como Moçambique, Maláui ou Zâmbia, o projeto serve de modelo para replicar boas práticas de gestão de recursos aquáticos, incentivo à inovação tecnológica e inclusão social. A aposta em formação, incubação de PME e monitorização digital mostra que o futuro da economia azul depende de uma abordagem integrada, capaz de equilibrar produtividade, sustentabilidade ambiental e impacto social.
Especialistas sugerem que o sucesso do PROFISHBLUE deveria inspirar outros programas de economia azul na região, incluindo investimentos em aquicultura sustentável, processamento de produtos do mar e desenvolvimento de infraestrutura logística para o comércio internacional.
Parcerias estratégicas
O projeto contou com parceiros como a FAO, UNIDO, WWF, WorldFish e a Organização Africana de Normalização (ARSO), reforçando a cooperação interinstitucional para fortalecer políticas de economia azul e transformar o setor pesqueiro da África Austral.
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