Uma enfermeira afectada ao Centro de Saúde 25 de Setembro, na cidade de Nampula, foi detida e expulsa do Sistema Nacional de Saúde, após ser acusada de realizar cobranças ilícitas a parturientes, numa prática considerada grave e contrária à ética profissional.
A informação foi confirmada pela directora dos Serviços Provinciais de Saúde em Nampula, Celma Xavier, na sequência de denúncias apresentadas por utentes que relataram extorsão e tratamento inadequado durante o atendimento materno-infantil.
Segundo avançou a STV, a detenção ocorreu após uma investigação desencadeada por queixas de vítimas, que afirmaram ter sido obrigadas a pagar valores indevidos para receber assistência durante o parto.
As autoridades de saúde indicam que o caso foi submetido a um processo disciplinar rigoroso, que culminou no afastamento definitivo da profissional, reforçando a postura do sector em relação a actos de corrupção dentro das unidades sanitárias.
Celma Xavier reiterou que a Direcção Provincial de Saúde mantém uma política de tolerância zero para qualquer prática de cobrança ilícita ou mau atendimento aos utentes.
“Enquanto tivermos provas de que esses actos estão a acontecer, nós podemos agir. Precisamos que nos informem os nomes das pessoas que estejam a protagonizar qualquer tipo de acto de mau atendimento ou cobrança ilícita”, afirmou Celma Xavier em entrevista à STV.
A dirigente apelou ainda à população para continuar a denunciar casos semelhantes, sublinhando que a colaboração dos utentes é essencial para identificar profissionais que estejam a manchar o nome do Sistema Nacional de Saúde.
Além do caso da enfermeira expulsa, a Direcção Provincial de Saúde abordou também dificuldades estruturais que afectam o funcionamento de algumas unidades sanitárias na província, com destaque para a falta recorrente de energia eléctrica e água em centros de saúde como os de Namiepe e Anchilo.
De acordo com as autoridades, os cortes frequentes de energia têm sido provocados pelo vandalismo de cabos eléctricos pertencentes à EDM, situação que compromete serviços essenciais e aumenta a vulnerabilidade do atendimento.
Quanto ao abastecimento de água, a Direcção Provincial informou que decorrem coordenações com o Conselho Municipal de Nampula, com vista a mitigar a crise e assegurar condições mínimas de funcionamento das unidades sanitárias.
As autoridades reforçam que, para combater actos de corrupção e cobranças ilegais, os utentes devem recorrer aos canais formais de denúncia, incluindo os Gabinetes do Utente nas unidades sanitárias, as Direcções Distritais de Saúde e os Comités Locais de Saúde.
O caso volta a reacender o debate sobre a integridade no sector da saúde e sobre o impacto que a corrupção pode ter na vida de mulheres e crianças, sobretudo em serviços sensíveis como a maternidade.
Fonte: STV / Direcção Provincial de Saúde de Nampula