O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá solicitado aos seus assessores que se preparem para a possibilidade de um bloqueio naval prolongado aos portos iranianos no Estreito de Ormuz, numa estratégia que visa aumentar a pressão económica sobre o Irão, cuja principal fonte de receitas continua a ser a exportação de petróleo.
A informação foi avançada pelo Wall Street Journal, citada pelo jornal Negócios, indicando que Trump terá concluído que manter o bloqueio marítimo representa uma opção menos arriscada do que retomar bombardeamentos ou retirar completamente os Estados Unidos do conflito.
A decisão sugere que os distúrbios na navegação do Estreito de Ormuz — uma das rotas mais importantes do mundo — poderão prolongar-se por várias semanas ou meses, afectando directamente o mercado global de energia e o transporte de bens essenciais.
Antes do início da guerra, em 28 de Fevereiro, cerca de 20% do crude e gás natural consumido globalmente passava por esta via marítima estratégica. Com o bloqueio em vigor, o Estreito permanece praticamente encerrado, provocando instabilidade no comércio internacional e subida de preços.
Segundo dados do mercado, o Brent, referência do petróleo na Europa, regista ganhos pelo oitavo dia consecutivo, valorizando quase 3% e ultrapassando os 112 dólares por barril, num sinal claro de que os investidores antecipam um agravamento da crise energética.
Fontes internacionais indicam ainda que as forças norte-americanas têm intensificado a apreensão de navios com origem ou destino em portos iranianos, numa tentativa de cortar o fluxo financeiro do petróleo exportado por Teerão e reduzir a capacidade do país em sustentar a guerra.
O Governo iraniano, por sua vez, já classificou repetidamente o bloqueio como um verdadeiro “acto de guerra”, afirmando que não aceitará negociações enquanto Washington não levantar as restrições impostas.
Apesar disso, Trump afirmou na terça-feira (28), citado pela Bloomberg, que o Irão teria pedido aos EUA que suspendessem o bloqueio naval, enquanto as duas partes tentam encontrar um entendimento para encerrar o conflito.
Numa publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou ainda que a economia iraniana estaria a entrar num “estado de colapso”, reforçando o discurso de que o bloqueio está a produzir resultados.
Entretanto, o Irão deixou em aberto a possibilidade de aceitar um acordo provisório para reabrir o Estreito de Ormuz, desde que os Estados Unidos suspendam o bloqueio aos portos iranianos, adiando para mais tarde as negociações mais complexas relacionadas com o programa nuclear iraniano.
Contudo, Trump rejeitou essa proposta, mantendo a linha dura e demonstrando que pretende obter concessões mais amplas.
Segundo a CNN, citando fontes próximas do processo, mediadores paquistaneses esperam que o Irão apresente uma proposta revista nos próximos dias, numa tentativa de alcançar um acordo de paz ou pelo menos reduzir o impacto do bloqueio sobre a economia global.
A prolongação do bloqueio no Estreito de Ormuz poderá ter consequências directas para vários países, incluindo na África Austral, com impactos sobre combustíveis, fertilizantes e preços de alimentos, num momento em que várias economias enfrentam dificuldades internas.
Fontes: Wall Street Journal / Jornal Negócios / Bloomberg / CNN