O Irão voltou a intensificar a tensão no estratégico Estreito de Ormuz após atacar três navios na manhã desta quarta-feira, mesmo depois de ter manifestado abertura para retomar negociações com os Estados Unidos.
Segundo o embaixador iraniano nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, o país está disposto a regressar às conversações de paz em Islamabad, mas condiciona esse avanço ao levantamento do bloqueio naval imposto pelos EUA, que considera uma violação do cessar-fogo acordado recentemente.
“O Irão está preparado para qualquer cenário”, afirmou o diplomata, acrescentando que o país tanto pode avançar para uma solução política como responder militarmente, dependendo da postura norte-americana.
Do lado dos EUA, o Presidente Donald Trump anunciou a extensão do cessar-fogo, mas manteve o bloqueio naval, alegando divisões internas no governo iraniano e a necessidade de aguardar uma proposta unificada para negociações.
Entretanto, a situação no terreno agravou-se. De acordo com informações da imprensa internacional, incluindo a BBC, três embarcações foram alvo de ataques no Estreito de Ormuz. Entre elas está o navio MSC Francesca, atingido a cerca de seis milhas náuticas da costa iraniana.
Outros dois navios, identificados como o cargueiro Euphoria e o porta-contentores Epaminondas, também foram atacados. Segundo a agência estatal iraniana Fars, os três navios foram alvo directo da Guarda Revolucionária, sendo que o Euphoria ficou imobilizado, enquanto os restantes foram apreendidos e escoltados para território iraniano.
Os incidentes elevam o risco de escalada militar numa das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde passa uma grande parte do petróleo global, aumentando as preocupações internacionais sobre o impacto económico e energético deste conflito. (Paula Nhampossa)