Moçambique acaba de dar um dos maiores passos da sua história industrial. Com um investimento de 110 milhões de dólares, a fábrica da Cimentos de Moçambique, em Nacala-Porto, entrou numa nova era ao passar a produzir localmente o clínquer — a principal matéria-prima do cimento — eliminando uma dependência que durante décadas obrigou o país a gastar milhões de dólares em importações.
A inauguração da unidade modernizada, presidida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, representa muito mais do que a expansão de uma fábrica. O projecto promete reduzir a saída de divisas, criar centenas de empregos, fortalecer a indústria nacional e aumentar a capacidade produtiva do país, numa altura em que Moçambique procura acelerar a industrialização e diminuir a dependência do exterior.
Uma mudança que pode transformar toda a cadeia industrial
Até agora, a fábrica dependia da importação de clínquer, componente essencial para a produção de cimento. Esse modelo tornava a indústria vulnerável às oscilações dos mercados internacionais, ao aumento dos custos de transporte e às flutuações cambiais.
Com a conclusão da nova unidade, essa realidade muda completamente.
O clínquer passa agora a ser produzido a partir do calcário extraído em Quissimajulo, na província de Nampula, permitindo que todo o processo industrial decorra dentro de Moçambique.
Durante a cerimónia, Daniel Chapo destacou que esta transformação representa uma conquista estratégica para a economia nacional.
“Antes o clínquer era importado. Hoje é produzido em Moçambique. É ‘Made in Mozambique'”, afirmou o Chefe do Estado.
60 milhões de dólares deixam de sair do país
Segundo dados apresentados durante a inauguração, a produção nacional permitirá uma poupança estimada em 60 milhões de dólares, valor que anteriormente era gasto todos os anos na importação da matéria-prima.
Na prática, significa que esses recursos poderão permanecer na economia moçambicana, gerando maior circulação financeira, mais receitas fiscais, investimento interno e fortalecimento da indústria nacional.
Especialistas consideram que reduzir a dependência das importações é uma das formas mais eficazes de proteger a economia contra crises internacionais e volatilidade cambial.
Produção aumenta significativamente
Além de eliminar as importações de clínquer, o investimento permitiu expandir significativamente a capacidade produtiva da unidade.
A fábrica poderá produzir cerca de 1,2 milhões de toneladas adicionais de cimento por ano, reforçando a oferta nacional e aumentando a capacidade de responder à crescente procura do sector da construção civil.
O projecto incorpora ainda uma central energética própria alimentada com carvão proveniente de Moatize, reduzindo a dependência da rede eléctrica nacional e garantindo maior estabilidade operacional.
Segundo a empresa, esta solução melhora a eficiência energética da unidade e reduz interrupções na produção.
Mais empregos e maior impacto económico
O projecto também terá impacto directo no mercado de trabalho.
Os empregos permanentes deverão aumentar de aproximadamente 150 para cerca de 300 trabalhadores, enquanto os postos de trabalho indirectos deverão ultrapassar 400 empregos, abrangendo transporte, manutenção, serviços, logística e fornecimento de bens.
Para a economia da província de Nampula, o investimento poderá impulsionar novas pequenas empresas ligadas à cadeia industrial do cimento.
Governo aposta na industrialização
Durante a inauguração, Daniel Chapo reiterou que o Governo pretende transformar Moçambique num país produtor, reduzindo progressivamente a exportação de matérias-primas e incentivando a produção local.
Segundo o Presidente, fabricar matérias-primas dentro do país significa gerar riqueza, criar emprego, aumentar receitas fiscais e fortalecer a economia nacional.
A aposta enquadra-se na estratégia governamental de industrialização, que procura aproveitar os recursos naturais existentes para produzir bens com maior valor acrescentado.
O que representa este investimento?
Economistas consideram que o projecto poderá marcar um ponto de viragem para a indústria nacional.
Entre os principais benefícios esperados destacam-se:
- redução da dependência das importações;
- poupança anual estimada em cerca de 60 milhões de dólares;
- aumento da capacidade industrial nacional;
- criação de centenas de empregos;
- fortalecimento da cadeia produtiva do cimento;
- maior estabilidade no fornecimento para o sector da construção.
A médio prazo, o aumento da produção poderá ainda contribuir para reduzir custos logísticos e melhorar o abastecimento do mercado interno.
Um sinal para novos investidores
Num contexto em que Moçambique procura atrair mais investimento privado para a indústria transformadora, a ampliação da fábrica da Cimentos de Moçambique surge como um dos maiores investimentos industriais recentes no país.
Ao produzir localmente uma matéria-prima considerada estratégica para a construção civil, o projecto demonstra que existe potencial para desenvolver cadeias industriais completas utilizando recursos existentes em território nacional.
Para o Governo, este poderá ser um exemplo do modelo de industrialização que pretende replicar noutros sectores da economia, reduzindo importações, criando empregos qualificados e aumentando a capacidade produtiva do país.
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Fonte: Lusa e Presidência da República de Moçambique.