Reino Unido Corta Ajuda, Inflação Agrava-se e Surge Novo Alerta Para a Economia de Moçambique
A economia moçambicana enfrentou, esta semana, uma sucessão de acontecimentos que poderá influenciar o rumo financeiro do país nos próximos anos. Enquanto o Reino Unido prepara um corte histórico de quase 90% na ajuda bilateral a Moçambique, os preços dos bens e serviços continuam a aumentar e as autoridades financeiras alertam para um risco que muitos julgavam ultrapassado: o possível regresso do país à lista cinzenta internacional. Juntos, estes três factores levantam novas preocupações sobre a estabilidade económica, a confiança dos investidores e os desafios que o Governo terá de enfrentar.
Reino Unido reduz drasticamente o apoio financeiro
Uma das notícias que mais marcou a semana foi a decisão do Reino Unido de reduzir significativamente a ajuda bilateral destinada a Moçambique.
Segundo o Relatório e Contas 2025-26 do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Commonwealth e Desenvolvimento britânico, o financiamento anual deverá cair dos actuais 58,5 milhões de euros para apenas 5,8 milhões de euros até ao exercício de 2028/29, representando uma redução de aproximadamente 90%.
A diminuição será gradual. O apoio deverá passar para 32,1 milhões de euros em 2026/27, reduzir-se para 18,4 milhões de euros no ano seguinte e atingir os 5,8 milhões de euros em 2028/29.
Esta decisão resulta da nova política do Governo britânico, que pretende reduzir a ajuda pública ao desenvolvimento para 0,3% do Rendimento Nacional Bruto até 2027 e direccionar mais recursos para a defesa e para um número mais restrito de países considerados estratégicos.
Apesar do corte, Londres assegura que continuará a cooperar com Moçambique em áreas como energia limpa, alterações climáticas e transição energética, procurando mobilizar investimento privado para novos projectos.
Inflação continua a subir e pressiona o custo de vida
Ao mesmo tempo que o financiamento externo diminui, o custo de vida continua a aumentar.
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a inflação homóloga subiu para 7,51% em Junho, acima dos 7,28% registados em Maio.
Embora a inflação mensal tenha desacelerado para 0,2%, os preços permanecem elevados em vários sectores essenciais.
Entre os principais aumentos destacam-se:
- Transporte de passageiros por barco e ferryboat (13,5%);
- Transporte semicolectivo urbano e suburbano (2,3%);
- Cimento (2,2%).
Desde o início do ano, a inflação acumulada já atingiu 5,4%, reflectindo sobretudo os efeitos do aumento dos combustíveis ocorrido em Maio, quando o preço do gasóleo subiu 45,5% e o da gasolina 12,1%, após as perturbações provocadas pelo conflito no Médio Oriente.
Perante este cenário, o Banco de Moçambique decidiu interromper o ciclo de redução das taxas de juro, mantendo a taxa MIMO em 9,25% e reforçando as reservas obrigatórias dos bancos para tentar conter novas pressões inflacionistas.
A instituição admite que, caso os factores externos persistam, a inflação poderá voltar a atingir níveis de dois dígitos.
Lista cinzenta continua a preocupar autoridades
Outro tema que voltou a dominar o debate económico foi o combate ao branqueamento de capitais.
O Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) alertou que existe um risco “real” de o país voltar à lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) em 2030, caso as reformas actualmente implementadas não sejam mantidas.
Moçambique entrou nessa lista em 2022, devido a fragilidades no combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, situação que dificultou operações financeiras internacionais e afectou a confiança de investidores.
Depois de cumprir um plano de reformas exigido pelo GAFI, o país conseguiu sair da lista em Outubro de 2025.
Contudo, segundo o director dos Serviços Jurídicos, Estudos e Cooperação do GIFiM, Paulo Munguambe, a próxima avaliação internacional começará em 2029, obrigando Moçambique a manter elevados níveis de conformidade.
Para evitar um novo retrocesso, o GIFiM defende o reforço das investigações financeiras, maior eficácia nos processos judiciais relacionados com crimes económicos e a continuidade da capacitação das instituições responsáveis pela fiscalização.
Governo procura reduzir despesas internas
Num contexto de maiores desafios financeiros, o Governo avançou também com medidas destinadas a racionalizar a administração pública.
Foi criada uma comissão interministerial para coordenar a reafectação dos recursos humanos, materiais e patrimoniais dos extintos serviços provinciais de representação do Estado.
A reforma enquadra-se na implementação do novo modelo de governação descentralizada e, segundo o Executivo, poderá gerar uma poupança anual superior a 1,2 mil milhões de meticais, através da eliminação de estruturas duplicadas e da melhoria da eficiência administrativa.
Uma semana que pode marcar os próximos anos
Embora cada um destes acontecimentos tenha natureza diferente, todos apontam para o mesmo desafio: fortalecer a economia num período de maior incerteza internacional.
A redução da ajuda externa aumenta a necessidade de mobilizar investimento privado e melhorar a arrecadação de receitas internas. Ao mesmo tempo, a subida da inflação continua a afectar famílias e empresas, enquanto o alerta sobre a lista cinzenta recorda que a credibilidade financeira de Moçambique dependerá da continuidade das reformas.
Nos próximos meses, a capacidade do país para controlar os preços, atrair investimento e preservar a confiança dos parceiros internacionais poderá ser decisiva para o crescimento económico e para a estabilidade das finanças públicas. (POR : paula nhampossa , jose e janukha)
A NOTICIA ORIGINAL ESTA AQUI NO NOSSO SITE: https://vozafricano.com/mocambique-recebe-tres-golpes-economicos-em-apenas-uma-semana/