Novo Reforço Militar: Japão Entrega Viaturas Para Travar Terrorismo em Cabo Delgado
Há oito anos, Cabo Delgado vive sob a ameaça constante do terrorismo. Apesar dos avanços alcançados pelas forças de defesa e dos parceiros internacionais, os ataques continuam a surgir em diferentes distritos, mantendo milhares de famílias deslocadas e dificultando a reconstrução da província. Agora, o Japão voltou a intervir, desta vez com um reforço destinado a aumentar a capacidade de resposta da Polícia da República de Moçambique (PRM) e do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), numa altura em que a segurança continua a ser um dos maiores desafios do país.
Japão entrega 28 viaturas para reforçar operações
O Governo japonês doou 28 viaturas operacionais à Polícia da República de Moçambique (PRM), num apoio que visa fortalecer o combate ao terrorismo, à criminalidade organizada e melhorar a capacidade de intervenção das autoridades na província de Cabo Delgado.
A cerimónia de entrega decorreu na cidade de Pemba, capital provincial, reunindo representantes dos dois governos e responsáveis pelos sectores da segurança.
Segundo o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, os novos meios permitirão que as forças policiais actuem com maior rapidez nas zonas de maior risco e reforcem a proximidade com as comunidades afectadas pelo conflito.
“Para que a PRM e o SERNIC possam deslocar-se rapidamente aos locais onde forem necessários e responder de forma eficaz aos desafios de segurança, é essencial garantir uma adequada capacidade de mobilidade no terreno”, afirmou o diplomata.
Objectivo é travar grupos armados e redes criminosas
O ministro do Interior, Paulo Chachine, considerou que o reforço da frota representa um passo importante para melhorar as operações policiais.
Segundo o governante, as novas viaturas irão apoiar missões tácticas, investigações criminais e operações destinadas a desmantelar grupos responsáveis por actos de violência e outras redes criminosas que continuam a alimentar a instabilidade na região.
Além disso, os meios serão distribuídos principalmente pelos distritos que estão em processo de estabilização e reconstrução, permitindo uma presença mais permanente das forças de segurança junto das populações.
Segurança continua a ser o maior obstáculo à reconstrução
Embora várias localidades tenham sido recuperadas pelas forças moçambicanas e pelos militares da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e do Ruanda, a situação de segurança continua longe de estar totalmente controlada.
Nos últimos meses, ataques esporádicos voltaram a ser registados em diferentes pontos da província, obrigando comunidades inteiras a abandonar novamente as suas casas e dificultando o regresso à normalidade.
A persistência da violência também continua a atrasar investimentos, projectos públicos e a reconstrução de infra-estruturas destruídas durante anos de conflito.
Japão mantém apoio, mas adia reconstrução
Apesar da nova doação, o Governo japonês deixou claro que, por enquanto, não participará na reconstrução de infra-estruturas em Cabo Delgado.
A decisão está relacionada com o actual contexto de insegurança, que ainda representa riscos para a execução de grandes projectos no terreno.
Mesmo assim, Tóquio garantiu que continuará a apoiar Moçambique através de assistência humanitária, programas de desenvolvimento e iniciativas destinadas a melhorar as condições de vida das populações afectadas pelo conflito.
Uma guerra que já dura quase uma década
A insurgência armada em Cabo Delgado começou a 5 de Outubro de 2017, com o ataque ao distrito de Mocímboa da Praia.
Desde então, o conflito transformou-se numa das maiores crises humanitárias da África Austral, provocando milhares de mortos, centenas de milhares de deslocados e enormes prejuízos económicos.
De acordo com dados da Armed Conflict Location & Event Data (ACLED), apenas nas duas primeiras semanas de Junho foram registados 11 ataques atribuídos a grupos ligados ao autoproclamado Estado Islâmico.
Esses incidentes provocaram oito mortos, elevando para 6.632 o número de vítimas mortais desde o início da insurgência.
O desafio vai além das viaturas
Especialistas em segurança consideram que o reforço da mobilidade da PRM representa um avanço importante, mas alertam que o combate ao terrorismo exige muito mais do que equipamento.
O sucesso das operações dependerá igualmente da troca de informações entre as forças de segurança, do fortalecimento da inteligência, da protecção das comunidades e da continuidade da cooperação internacional.
A doação japonesa representa, por isso, mais um sinal de confiança dos parceiros externos em Moçambique, numa altura em que Cabo Delgado continua a ser uma das principais prioridades em matéria de segurança e estabilidade para toda a região. (por paula e jose)
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