Durante décadas, milhares de milhões de dólares entraram em Moçambique através de investidores estrangeiros, mas uma parte significativa desse capital acabou por beneficiar pouco as empresas nacionais. Agora, o Governo quer mudar esse cenário. O Executivo lançou um desafio directo ao sector privado moçambicano: deixar de ser apenas um facilitador dos investimentos e passar a ocupar um lugar de destaque nos grandes negócios que poderão moldar a próxima fase de crescimento económico do país.
Governo quer empresas nacionais nos grandes investimentos
O apelo foi lançado esta sexta-feira (24) pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante a abertura do 17.º Encontro de Empresários para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa (PLP), realizado em Maputo.
Segundo o governante, Moçambique pretende que os empresários nacionais participem activamente nos projectos financiados por investidores chineses, em vez de se limitarem a prestar serviços de apoio ou receber comissões.
“Queremos ser parte activa no negócio. O que esperamos dos empresários moçambicanos é que não fiquem apenas à espera de criar facilidades para os investidores, mas que também sejam parte do investimento”, afirmou João Matlombe.
Fim da dependência das matérias-primas
Para o Governo, a economia moçambicana precisa de dar um novo passo.
João Matlombe defendeu que o país deve reduzir a dependência da exportação de matérias-primas em estado bruto e apostar na industrialização, criando fábricas capazes de transformar os recursos naturais dentro do território nacional.
A estratégia passa por aumentar o valor acrescentado dos produtos, gerar empregos qualificados, estimular a inovação e tornar as empresas moçambicanas mais competitivas nos mercados regional e internacional.
Segundo o ministro, este processo permitirá fortalecer a economia e reduzir a vulnerabilidade do país às oscilações dos mercados internacionais.
China continua a reforçar presença em Moçambique
A China mantém-se como um dos principais parceiros económicos de Moçambique, financiando projectos em sectores como infra-estruturas, energia, transportes, agricultura e indústria.
De acordo com João Matlombe, o volume de comércio entre os dois países ronda actualmente 5,19 mil milhões de dólares, demonstrando o peso crescente da cooperação económica sino-moçambicana.
O governante acredita que esta relação poderá consolidar a China como a principal parceira comercial e de investimento de Moçambique nos próximos anos.
Experiência chinesa vista como exemplo
Outro ponto destacado pelo ministro foi o modelo de industrialização adoptado pela China nas últimas décadas.
Na visão do Governo, a experiência chinesa demonstra como o investimento em indústria, inovação e produção pode acelerar o crescimento económico, criar milhões de empregos e reduzir significativamente os níveis de pobreza.
Por isso, o Executivo considera que Moçambique pode beneficiar dessa experiência através de parcerias empresariais mais sólidas e da transferência de conhecimento.
Macau poderá aproximar investidores dos países lusófonos
Durante o encontro, a embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, reafirmou o compromisso do Governo chinês em apoiar os objectivos de desenvolvimento dos países de língua portuguesa.
A diplomata destacou ainda o papel estratégico de Macau, considerado uma plataforma privilegiada para aproximar empresários chineses e investidores da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP).
Encontro procura transformar contactos em investimentos
Organizado pela Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), em parceria com o Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT) e o Instituto para a Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), o encontro reuniu empresários de vários países lusófonos para identificar oportunidades concretas de investimento.
As discussões centraram-se em sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento económico de Moçambique, incluindo infra-estruturas logísticas, energia, agro-negócio, turismo e indústria.
Para o Governo, o verdadeiro sucesso desta cooperação será medido não apenas pelo volume de investimento estrangeiro, mas pela capacidade de criar empresas competitivas, gerar emprego e transformar os recursos nacionais em riqueza produzida dentro de Moçambique. ( Por: paula nhampossa e jose)
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