A investigação em curso no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) está a ganhar novos contornos e pode atingir figuras influentes dentro do Estado moçambicano, num dos casos de corrupção mais sensíveis dos últimos tempos.
A detenção do director-geral Joaquim Siúta, juntamente com quadros seniores da instituição e um empresário do sector da construção civil, marcou o início de um processo que promete revelar uma rede mais ampla de irregularidades.
Segundo o Jornal Evidências, as audições em curso no Tribunal Judicial da Cidade de Maputo estão a trazer novos elementos que podem levar o caso para outras instituições de peso, incluindo o Ministério do Trabalho e a Assembleia da República.
As suspeitas apontam para manipulação de concursos públicos e desvio de fundos destinados à segurança social. O alegado esquema envolvia sobrefacturação em contratos nas áreas de comunicação, tecnologia e construção de infraestruturas.
De acordo com as investigações, serviços avaliados em cerca de 500 mil meticais eram adjudicados por valores que chegavam a quase 2 milhões, sendo a diferença canalizada para intermediários e figuras com influência.
Entre os detidos, há também técnicos envolvidos na tramitação de documentos, embora o foco das autoridades, nomeadamente o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) e o Gabinete Central de Combate à Corrupção, esteja agora nos decisores de alto nível, apontados como os principais articuladores do esquema.
Apesar de o Ministério do Trabalho ter garantido a continuidade dos serviços e a estabilidade do sistema de pensões, o caso está a gerar forte pressão política.
Analistas consideram que, caso a investigação avance sem interferências, poderá expor uma rede complexa de interesses entre o sector público e privado, envolvendo empresas favorecidas em concursos devido a ligações políticas.
O desfecho deste caso poderá ter implicações profundas na credibilidade das instituições públicas e no combate à corrupção em Moçambique. (Por : Carlos Alberto)