O Conselho Municipal de Maputo assegura que o problema da acumulação de lixo em vários bairros da capital poderá estar resolvido dentro de 15 dias, após a reposição das condições mínimas de funcionamento da lixeira de Hulene, principal local de deposição de resíduos sólidos da cidade.
Nos últimos dois meses, diversos bairros de Maputo têm registado focos críticos de lixo, situação provocada por dificuldades no acesso à lixeira de Hulene, agravadas pela avaria de duas máquinas essenciais para a compactação e gestão dos resíduos, aliadas às condições do período chuvoso.
De acordo com o vereador de Salubridade no município de Maputo, João Munguambe, a paralisação simultânea de duas bulldozers comprometeu seriamente o funcionamento da lixeira, criando montanhas de lixo que impediram a circulação normal dos camiões de recolha. A situação foi ainda agravada pela acumulação de água no interior do recinto, dificultando o acesso das viaturas.
“Sem acesso aos campos de deposição de resíduos sólidos, torna-se impossível garantir a recolha regular do lixo nos bairros”, explicou o vereador, sublinhando que a limitação logística afectou toda a cadeia do sistema de saneamento urbano.
Entretanto, a edilidade informa que já foram iniciadas acções de emergência, com a introdução de uma bulldozer alugada e a utilização de escavadoras giratórias para reabrir os campos de deposição e desobstruir as vias de acesso. Paralelamente, decorrem trabalhos para alargar e duplicar as vias internas da lixeira, de modo a permitir maior fluidez na entrada e saída dos camiões.
Segundo João Munguambe, o município acredita que, caso não surjam constrangimentos adicionais, será possível normalizar a recolha de resíduos sólidos em toda a cidade no prazo de duas semanas.
Actualmente, estima-se que mais de 12 milhões de toneladas de lixo estejam acumuladas em diferentes pontos da cidade, com maior incidência nos distritos municipais de KaMubukwana, KaMaxaquene e Chamanculo. A edilidade reconhece ainda constrangimentos em KaMavota, embora considere a situação sob controlo.
O município esclarece que a reparação definitiva de cada uma das máquinas avariadas exige um investimento de cerca de 12 milhões de meticais, valor que condiciona a reposição imediata dos equipamentos próprios.
Relativamente ao futuro da lixeira de Hulene, o Conselho Municipal reafirma que o seu encerramento está previsto apenas para 2028, após a conclusão do aterro sanitário da Katembe. Para esse efeito, já foi lançado um concurso público visando a contratação do empreiteiro responsável pela operacionalização do projecto.