A procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou oficialmente que o montante de dinheiro apreendido no sábado, 13 de dezembro, numa residência particular na cidade de Maputo, ultrapassa os 40 milhões de meticais, valor equivalente a cerca de 500 mil euros. O caso, já considerado um dos mais mediáticos dos últimos tempos, envolve dois indivíduos detidos e fortes suspeitas de criminalidade económica organizada.
O início do caso: a operação de sábado
A operação teve lugar no passado sábado, quando equipas da PGR, em coordenação com o Serviço Nacional de investigação criminal (SERNIC), executaram um mandado de busca e apreensão no âmbito de uma investigação previamente instaurada. A diligência decorreu numa residência em Maputo, após indícios de que o local estaria a ser utilizado para armazenamento de grandes somas de dinheiro em numerário.
Durante a busca, os investigadores depararam-se com quantidades invulgares de notas, cuidadosamente escondidas em compartimentos secretos, fundos falsos e estruturas adaptadas no interior da casa, numa tentativa clara de ocultar a existência do dinheiro.

Contagem manual devido ao volume excecional
Face à dimensão da apreensão, o numerário não foi contado no local, por razões de segurança e rigor processual. Todo o dinheiro foi transportado para as instalações da PGR, onde a contagem manual foi realizada ao longo de várias horas. Só após este procedimento foi possível apurar que o valor excede os 40 milhões de meticais, confirmando as suspeitas iniciais das autoridades.
Dois suspeitos e a fachada empresarial
No âmbito da operação, dois indivíduos foram detidos e constituídos arguidos. Segundo informações recolhidas durante a investigação, os suspeitos apresentavam-se publicamente como empresários, criando uma imagem de legalidade que, agora, está a ser seriamente questionada pelas autoridades.
A PGR refere que existem fortes indícios de utilização de empresas de fachada, supostamente criadas ou usadas para movimentar e justificar fundos de origem ilícita, evitando o sistema financeiro formal e os mecanismos de controlo fiscal.
Crimes económicos sob investigação
O processo-crime instaurado pela Procuradoria envolve suspeitas da prática de:
- Branqueamento de capitais
- Fraude fiscal
- Associação criminosa
De acordo com fontes ligadas à investigação, a posse de elevadas quantias em numerário, sem justificação legal plausível, aliada à sua ocultação em esconderijos sofisticados, constitui um padrão típico de esquemas de lavagem de dinheiro.

Investigação em curso e possíveis novos desenvolvimentos
A PGR sublinha que o caso continua em fase de instrução, estando ainda a ser analisada:
- A origem exata do dinheiro
- A eventual existência de outros envolvidos, diretos ou indiretos
- A ligação do caso a outras redes ou processos de criminalidade económica
As autoridades não afastam a possibilidade de novas detenções, apreensão de bens adicionais ou congelamento de contas bancárias, caso surjam novos elementos relevantes.
Destino do dinheiro apreendido
Até à conclusão do processo judicial, o dinheiro permanece à guarda do Estado. Caso o tribunal venha a confirmar a sua proveniência ilícita, os valores poderão reverter definitivamente a favor do Estado moçambicano, nos termos da legislação em vigor sobre crimes financeiros.
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