Um episódio de violência colectiva voltou a expor a tensão social na província da Zambézia, após populares incendiarem uma unidade da Polícia da República de Moçambique no posto administrativo de Moneia, distrito de Gilé.
O incidente teve origem numa tentativa de linchamento contra um cidadão de 54 anos, acusado de espiar mulheres enquanto estas se banhavam num rio da região. Segundo relatos oficiais, a população reagiu com fúria, tentando fazer justiça pelas próprias mãos.
A situação agravou-se quando agentes da polícia intervieram para resgatar o suspeito, gerando confrontos directos com a multidão. Durante o tumulto, o posto policial acabou por ser incendiado, deixando a infra-estrutura parcialmente destruída.
A informação foi confirmada pela porta-voz da PRM na Zambézia, Belarmina Henriques, que descreveu o cenário como preocupante e fora de controlo.
De acordo com a corporação, este é já o terceiro caso de vandalização de infraestruturas policiais na província em menos de uma semana, um dado que levanta sérias preocupações sobre o respeito pela autoridade do Estado e a segurança pública.
A polícia lamenta o ocorrido e garante que decorrem investigações para identificar e responsabilizar os autores do incêndio. As autoridades apelam ainda à calma, reforçando que actos de justiça popular constituem crime e colocam em risco a ordem e a estabilidade das comunidades.
O caso volta a levantar o debate sobre o aumento de episódios de violência colectiva e os desafios enfrentados pelas autoridades na manutenção da ordem em várias regiões do país. (Paula Nhampossa)