A circulação de pessoas e bens na Estrada Nacional N104, que liga Nametil à cidade de Angoche, na província de Nampula, esteve interrompida após uma onda de protestos protagonizada por populares da localidade de Luazi, no posto administrativo de Namitória, distrito de Angoche.
A população decidiu bloquear a via em protesto contra o alegado incumprimento de acções de responsabilidade social por parte da construtora Mota-Engil, responsável pelas obras naquele troço rodoviário.
Segundo avançou a publicação Carta de Moçambique, citando residentes locais, a empresa teria prometido construir um mercado e uma fonte de abastecimento de água potável, como parte do pacote de compensação social, mas até ao momento as infra-estruturas não foram erguidas.
O protesto provocou a paralisação total das actividades naquela zona, com o trânsito completamente bloqueado durante várias horas. Barricadas foram montadas ao longo da estrada, enquanto grupos de jovens, munidos de paus e pedras, ameaçavam atacar qualquer viatura ou pessoa que tentasse atravessar o local.
“Houve, sim, manifestação, motivada pela insatisfação dos residentes, que acusam a empresa responsável pela construção da via que liga Angoche a Nametil de não ter cumprido compromissos assumidos com a comunidade. Entre as promessas apontadas estão a construção de um mercado, a instalação de uma fonte de água”, referiu uma fonte citada pela Carta de Moçambique.
A situação gerou transtornos graves para os utentes da via, com várias viaturas obrigadas a permanecer paradas por longas horas. Entre os casos mais preocupantes esteve uma ambulância que transportava um paciente, bem como uma viatura do Serviço Distrital de Saúde, Mulher e Acção Social, que levava medicamentos.
Face ao clima de tensão, agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) foram destacados para o local com o objectivo de repor a ordem e tentar dialogar com os manifestantes. No entanto, segundo relatos, os agentes acabaram expulsos pela população revoltada.
Diante da gravidade da situação, o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, deslocou-se esta quarta-feira (29) à localidade de Luazi para dialogar directamente com os manifestantes.
No encontro, a população apresentou um conjunto de reivindicações que vão além das promessas atribuídas à Mota-Engil, destacando a necessidade urgente de um centro de saúde, de pelo menos três furos de água e de um mercado que permita o exercício formal do comércio local.
Os residentes alertaram ainda que faltam poucos dias para a empresa concluir os trabalhos e abandonar a região, sem cumprir as promessas feitas à comunidade.
Após ouvir as preocupações, Eduardo Abdula afirmou ter registado todas as reclamações e apelou, sobretudo aos jovens, para que reabram a estrada, permitindo a circulação normal enquanto as autoridades trabalham na busca de soluções.
O caso volta a levantar debate sobre a fiscalização de compromissos de responsabilidade social assumidos por empresas que executam grandes obras públicas no país, num contexto em que comunidades reclamam benefícios directos e condições mínimas de vida.
Fonte: Carta de Moçambique