O Governo moçambicano está a avançar com um plano ambicioso para transformar o sector agrário, ao mobilizar cerca de 250 milhões de dólares destinados ao financiamento da cadeia de produção agrícola em todo o país.
A informação foi revelada em Maputo pelo secretário permanente do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Acubar Baptista, à margem do congresso “Cultivar o Futuro”. Segundo o governante, o financiamento está a ser negociado com parceiros internacionais de peso, como o Banco Mundial, o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e o Banco Africano de Desenvolvimento.
De acordo com Baptista, o objectivo é apoiar agricultores familiares, pequenas e médias empresas e grandes produtores, garantindo maior capacidade de produção e dinamização da economia rural. “Estamos numa fase avançada de mobilização de financiamento, com uma carteira inicial estimada em cerca de 250 milhões de dólares”, afirmou.
Paralelamente, o Executivo reconhece os desafios enfrentados pelo sector. As cheias registadas desde o início do ano provocaram prejuízos avaliados em cerca de 400 milhões de meticais, levando o Governo a implementar medidas de emergência para apoiar os produtores afectados.
No plano internacional, Moçambique continua a reforçar parcerias estratégicas. A embaixadora de Espanha em Moçambique, Teresa Vidal, destacou o compromisso do seu país na modernização da agricultura nacional, sublinhando que a cooperação bilateral já dura há cerca de 50 anos.
Como parte desta colaboração, será implementado um projecto inovador com apoio da organização espanhola CESAL, focado na utilização de tecnologia digital para monitorar a produção agrícola. A iniciativa, com duração de dois anos e orçamento de aproximadamente 500 mil euros, permitirá acompanhar o estado das machambas através de imagens de satélite, reduzindo custos e aumentando a eficiência.
Numa fase inicial, o projecto será implementado nas províncias do Niassa, Cabo Delgado, Gaza e Maputo, com перспективas de expansão para outras regiões.
Com esta aposta, o Governo procura não só reforçar a segurança alimentar, mas também posicionar o sector agrícola como motor estratégico para o crescimento económico e aumento das exportações. (Por :Carlos Alberto)