O director do Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, alertou que Moçambique enfrenta um cenário de “sufoco económico e social” dez dias depois do aumento dos preços dos combustíveis anunciado pela ARENE.
Numa carta aberta dirigida ao Presidente da República, o activista afirmou que a crise deixou vários sectores praticamente paralisados, afectando o transporte público, a pesca artesanal, a agricultura e o funcionamento normal das famílias.
Segundo Nuvunga, o problema já ultrapassou a questão dos preços elevados e transformou-se numa crise de abastecimento. O gasóleo passou de 79,88 meticais para 116,25 meticais por litro, representando um aumento de 45,5%, enquanto a gasolina fixou-se em 93,86 meticais.
Apesar do reajuste, várias cidades continuam a registar longas filas e falta de combustível nos postos de abastecimento.
Na carta, o director do CDD afirma que a redução de “chapas” nas estradas está a dificultar a mobilidade de trabalhadores e estudantes, enquanto pescadores artesanais abandonam as actividades por falta de combustível para as embarcações.
O activista alertou ainda que tractores, sistemas de irrigação e unidades de agroprocessamento estão paralisados em algumas zonas agrícolas, situação que considera uma ameaça à segurança alimentar.
Adriano Nuvunga criticou também as medidas anunciadas pelo Governo, como subsídios aos transportadores e compra de autocarros, considerando-as insuficientes e vulneráveis à corrupção.
O documento termina com um apelo ao Executivo para que explique de forma transparente a dimensão da crise de abastecimento e apresente respostas estruturais para aliviar o impacto económico e social vivido pela população.