O Fundo Monetário Internacional veio a público esclarecer um dos temas mais sensíveis da actualidade económica moçambicana: o pagamento antecipado da dívida de cerca de 700 milhões de dólares não foi imposto pela instituição.
A garantia foi dada pelo representante residente do FMI em Moçambique, Olamide Harrison, que afastou qualquer cenário de pressão sobre o Governo. “O Fundo não exige pagamentos antecipados para podermos negociar e nem exigiu, no caso de Moçambique”, afirmou, sublinhando que as negociações seguem critérios técnicos e não imposições.
Segundo Harrison, o país enfrenta ainda desafios económicos internos e externos, o que impede, neste momento, o avanço para um novo programa de financiamento. O responsável explicou que continuam em curso análises macroeconómicas detalhadas para identificar soluções sustentáveis, mas deixou claro que ainda não existem condições concretas para um novo acordo.
O esclarecimento surge após Moçambique ter liquidado, em Março, a totalidade da sua dívida junto do FMI, num montante de 701,4 milhões de dólares. Dados da instituição indicam que o saldo de crédito pendente caiu de 514,04 milhões de direitos de saque especiais (SDR) para zero até 27 de Março, sem registo de novos desembolsos no período.
Importa recordar que, semanas antes, o FMI havia decidido adiar um novo pacote financeiro para o país, apontando a necessidade de reformas fiscais mais profundas, maior controlo da dívida pública e estabilidade económica. A instituição alertou ainda que Moçambique continua a enfrentar um ambiente macroeconómico complexo, marcado por crescimento abaixo do esperado, fragilidades fiscais e redução da ajuda externa.
Apesar disso, o FMI garante que mantém diálogo aberto com o Governo moçambicano, embora o caminho para um novo financiamento dependa do cumprimento rigoroso das recomendações económicas.
Fontes: Fundo Monetário Internacional (FMI); declarações do representante residente em Moçambique, Olamide Harrison.