A morte do empresário Humberto Sartori Vidock dentro do Estabelecimento Penitenciário de Máxima Segurança da Machava continua a gerar fortes reacções e novas dúvidas no sistema judicial moçambicano.
Em entrevista à MBC TV, o conhecido criminalista Paulo de Sousa defendeu a realização urgente de uma autópsia médico-legal para esclarecer as verdadeiras circunstâncias da morte do empresário, que estava sob custódia do Estado.
O posicionamento surge depois do Serviço Nacional Penitenciário confirmar oficialmente o óbito e revelar que Sartori teria iniciado uma greve de fome dias após a sua detenção. No entanto, segundo o jurista, ainda existem muitas perguntas sem resposta.
“O acto pode ter sido um grito de revolta, desespero ou até mesmo medo de envenenamento”, alertou Paulo de Sousa, sublinhando que casos desta natureza exigem investigação profunda e máxima transparência.
O especialista considera ainda que a morte do empresário pode complicar seriamente o rumo das investigações em curso, uma vez que Humberto Sartori era apontado como peça central em processos ligados a alegado branqueamento de capitais, fraude fiscal e falsificação de documentos.
Segundo o criminalista, a ausência física do principal arguido poderá fragilizar parte das linhas de acusação construídas pelo Serviço Nacional de Investigação Criminal e pela Procuradoria-Geral da República, sobretudo se não tiver havido preservação sólida de provas materiais antes da morte do empresário.
Agora, todas as atenções voltam-se para os exames forenses e para o Ministério Público, que deverão determinar se o caso continuará a avançar na justiça ou se a morte de Sartori poderá abrir um novo capítulo de incertezas no processo.
O caso já está a provocar intenso debate público em Moçambique, sobretudo sobre as condições de detenção, segurança prisional e transparência das investigações envolvendo figuras consideradas de alto perfil. (Vozafricano)