Moçambique e a África do Sul decidiram intensificar a cooperação policial e o intercâmbio de informações para combater o tráfico de droga, o roubo de viaturas e outras actividades ligadas ao crime organizado transnacional, numa altura em que as autoridades reconhecem que as redes criminosas estão a expandir as suas operações na região da África Austral.
A decisão foi tomada durante um encontro realizado recentemente em Maputo entre responsáveis da Polícia da República de Moçambique (PRM) e uma delegação da Polícia sul-africana, que se deslocou ao país para avaliar mecanismos de coordenação e reforçar operações conjuntas contra grupos criminosos que actuam dos dois lados da fronteira.
Segundo informações avançadas pelo jornal Notícias, as duas instituições concordaram em aumentar a partilha de inteligência, melhorar o controlo fronteiriço e realizar operações coordenadas para interromper rotas utilizadas por traficantes e contrabandistas.
Moçambique continua a ser rota estratégica para o tráfico
As autoridades admitem que a posição geográfica de Moçambique continua a tornar o país um corredor estratégico para o tráfico internacional de drogas.
Nos últimos anos, várias apreensões efectuadas pelas forças de segurança revelaram a utilização da costa moçambicana e de algumas fronteiras terrestres para o trânsito de substâncias ilícitas destinadas principalmente ao mercado sul-africano.
Entre as drogas mais frequentemente identificadas pelas autoridades encontram-se a heroína, a metanfetamina, o mandrax e outras substâncias consideradas de elevado valor no mercado ilegal.
Especialistas em segurança apontam que organizações criminosas internacionais aproveitam as extensas fronteiras, a vasta costa marítima e algumas fragilidades nos sistemas de fiscalização para movimentar carregamentos de droga através do território nacional.
Roubo de viaturas continua a preocupar
Além do tráfico de droga, as autoridades dos dois países manifestaram preocupação com o aumento da circulação de viaturas roubadas.
De acordo com informações partilhadas durante o encontro, diversas viaturas furtadas ou roubadas na África do Sul continuam a ser introduzidas ilegalmente em território moçambicano, onde são revendidas ou utilizadas por redes criminosas.
O fenómeno tem levado as forças policiais a reforçar os mecanismos de identificação e rastreamento de veículos suspeitos, bem como a cooperação entre os sistemas de registo automóvel dos dois países.
Crime organizado torna-se cada vez mais sofisticado
As autoridades reconhecem que os grupos criminosos estão a adoptar métodos cada vez mais sofisticados para evitar a detecção pelas forças de segurança.
A utilização de rotas alternativas, documentos falsificados, redes de intermediários e sistemas avançados de comunicação tem dificultado o trabalho das instituições responsáveis pela prevenção e combate ao crime.
Perante este cenário, Moçambique e a África do Sul defendem que apenas uma resposta coordenada poderá reduzir o impacto destas actividades ilegais na região.
Segurança regional em foco
A cooperação entre Maputo e Pretória é vista como estratégica para a segurança da África Austral, sobretudo porque muitos dos crimes investigados possuem carácter transnacional e envolvem redes que operam simultaneamente em vários países.
As autoridades acreditam que o reforço da coordenação operacional permitirá aumentar as apreensões de droga, recuperar mais viaturas roubadas e enfraquecer organizações criminosas que lucram milhões de dólares através de actividades ilegais.
Com o tráfico de droga e o crime organizado a continuarem entre os maiores desafios de segurança da região, os dois países prometem intensificar os esforços conjuntos para proteger as fronteiras e reduzir a actuação das redes criminosas que utilizam a África Austral como plataforma para operações internacionais. (vozafricano)