Governo quer colocar parques nacionais, reservas naturais e biodiversidade no centro da estratégia turística do país, numa corrida para captar investimento internacional e criar uma nova imagem de Moçambique no mercado global
Moçambique prepara uma mudança de estratégia no sector do turismo: deixar de depender apenas do tradicional modelo de “sol e praia” e transformar a sua biodiversidade num dos principais activos económicos para atrair investidores, turistas internacionais e novos negócios.
A aposta foi revelada pelo secretário de Estado do Turismo, Frexon Bacar, durante a abertura do ciclo de debates “A Caminho do Mozambique Tourism Summit”, uma iniciativa promovida pela Agência Nacional para o Desenvolvimento e Investimento Turístico (Anditur), em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).
Segundo o Governo, as áreas de conservação representam uma oportunidade estratégica para posicionar Moçambique como um destino turístico diferenciado na África Austral, aproveitando a riqueza da fauna, flora e dos ecossistemas existentes no país.
De praias paradisíacas à vida selvagem: Governo quer mudar imagem turística de Moçambique
Durante anos, Moçambique construiu a sua imagem turística principalmente através das praias do Índico, com destinos como Vilankulo, Bazaruto, Pemba e outras zonas costeiras.
Agora, o Executivo pretende ampliar essa narrativa, promovendo uma experiência turística que combine praias, reservas naturais, parques nacionais e contacto com a vida selvagem.
“Para além do sol e praia, Moçambique pode oferecer aos turistas uma experiência única, assente na riqueza da sua biodiversidade”, afirmou Frexon Bacar.
A visão do Governo é transformar a conservação ambiental numa plataforma de negócios, onde investidores possam desenvolver projectos turísticos sustentáveis capazes de gerar receitas, emprego e benefícios para as comunidades locais.
Turismo de conservação entra na agenda de grandes investimentos
A estratégia surge num momento em que vários países africanos têm utilizado o turismo baseado na natureza como uma importante fonte de receitas externas.
Na perspectiva das autoridades moçambicanas, o país possui vantagens competitivas devido à combinação rara entre extensas áreas costeiras e zonas de conservação com elevado valor ecológico.
O antigo ministro do Turismo, Fernando Sumbana, defendeu que o Mozambique Tourism Summit deve deixar de ser apenas um espaço de discussão e assumir-se como uma plataforma para fechar negócios e captar investimentos.
“Este evento não deve ser um espaço de debate filosófico. Deve ser um espaço de manifestação de interesse e de captação de investimento para o turismo”, afirmou.
Governo procura investidores para transformar conservação em negócio sustentável
A nova abordagem pretende aproximar Governo, investidores privados, operadores turísticos e organizações ligadas à conservação ambiental.
Entre as prioridades identificadas estão:
- melhoria do ambiente de negócios no sector turístico;
- aumento do investimento privado;
- reforço da conectividade aérea;
- valorização das áreas de conservação;
- formação de profissionais do turismo;
- promoção internacional da marca Moçambique.
A expectativa é que novos investimentos possam fortalecer lodges, reservas naturais, experiências de safari, turismo comunitário e outros segmentos ligados à natureza.
O desafio: proteger a natureza enquanto cresce o turismo
Apesar do potencial económico, especialistas defendem que a expansão do turismo de conservação deve caminhar com regras rigorosas para garantir que os ecossistemas sejam protegidos e que as comunidades residentes nas áreas de conservação sejam incluídas nos benefícios.
A exploração sustentável das áreas protegidas será um dos principais desafios para Moçambique, num momento em que o país procura equilibrar crescimento económico, criação de emprego e preservação ambiental.
🇲🇿 Mozambique Tourism Summit como plataforma para nova fase do sector
A primeira edição do Mozambique Tourism Summit, realizada em 2024 na cidade de Vilankulo, província de Inhambane, reuniu representantes do Governo, investidores, operadores turísticos e especialistas nacionais e internacionais.
Do encontro resultaram recomendações para acelerar reformas no sector, incluindo medidas para tornar Moçambique mais competitivo no mercado turístico global.
Com a nova aposta no turismo de conservação, o Governo pretende transformar a biodiversidade nacional num activo económico estratégico, colocando a natureza no centro da próxima fase de desenvolvimento turístico do país.
Fonte: Agência de Informação de Moçambique (AIM)