Programa financiado pela Suécia vai beneficiar 9 mil famílias em Gaza com sementes adaptadas e técnicas agrícolas resilientes para enfrentar secas, cheias e insegurança alimentar
Moçambique foi incluído num novo programa internacional de emergência alimentar avaliado em 6,9 milhões de euros, lançado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), com o objectivo de reforçar a capacidade das comunidades vulneráveis enfrentarem os efeitos das crises alimentares e das mudanças climáticas.
O financiamento, disponibilizado pela Suécia através da Agência Sueca de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, pretende apoiar quatro regiões consideradas prioritárias: Moçambique, Afeganistão, Síria e Faixa de Gaza, através de acções de resposta rápida e preparação para futuros riscos.
No caso moçambicano, a intervenção estará concentrada na província de Gaza, onde cerca de 9 mil famílias de pequenos agricultores serão apoiadas com sementes adaptadas às condições climáticas locais e formação em práticas agrícolas mais resistentes aos fenómenos extremos.
Gaza enfrenta pressão devido a secas e cheias recorrentes
A escolha de Gaza como uma das zonas prioritárias surge devido aos impactos acumulados das alterações climáticas, incluindo períodos prolongados de seca e episódios de cheias que têm afectado a produção agrícola e reduzido a capacidade das famílias garantirem alimentos suficientes.
Segundo a FAO, parte das comunidades abrangidas encontra-se em zonas classificadas na Fase 3 da Classificação Integrada da Segurança Alimentar (IPC), considerada uma situação de “Crise”.
Esta classificação significa que muitas famílias enfrentam dificuldades significativas no acesso aos alimentos, sendo obrigadas a adoptar estratégias que podem comprometer os seus meios de sobrevivência no futuro.
Sementes resistentes e agricultura inteligente entram no centro da resposta
O programa prevê a distribuição de kits agrícolas contendo sementes adaptadas às condições climáticas e a capacitação dos agricultores em técnicas de agricultura inteligente face ao clima.
A estratégia pretende não apenas responder à emergência actual, mas também preparar os produtores para enfrentar novos ciclos de seca, cheias e outros eventos climáticos extremos.
A FAO defende que investir antecipadamente na agricultura de emergência permite proteger comunidades vulneráveis e reduzir os custos associados a respostas tardias.
“A agricultura de emergência é um pilar fundamental da segurança alimentar, e as evidências mostram que agir antecipadamente pode salvar vidas a uma fracção do custo de uma resposta tardia”, afirmou uma responsável da organização.
Como será distribuído o financiamento internacional
Do montante total disponibilizado pela Suécia:
- 5,5 milhões de euros serão aplicados em respostas agrícolas de emergência;
- 1,4 milhão de euros será destinado à antecipação e preparação contra riscos futuros.
Os recursos serão administrados através do Fundo Especial para Actividades de Emergência e Resiliência da FAO, criado para permitir uma mobilização rápida de apoio em situações de crise.
Crise alimentar global aumenta pressão sobre países vulneráveis
A iniciativa surge num contexto internacional de agravamento da insegurança alimentar.
De acordo com o Relatório Global sobre Crises Alimentares de 2026, citado pela FAO, cerca de 266 milhões de pessoas em 47 países enfrentam níveis elevados de insegurança alimentar aguda.
O documento indica ainda que milhões de pessoas vivem actualmente situações classificadas como emergência alimentar, aumentando a necessidade de investimentos em produção agrícola sustentável e mecanismos de prevenção.
🇲🇿 Desafio de Moçambique: transformar ajuda de emergência em recuperação agrícola
Apesar do apoio internacional, especialistas defendem que o desafio de longo prazo passa por fortalecer a agricultura familiar, melhorar sistemas de irrigação, garantir acesso a tecnologias agrícolas e criar mecanismos que reduzam a vulnerabilidade das comunidades rurais.
Para Moçambique, onde grande parte da população depende directa ou indirectamente da agricultura, a capacidade de resistir aos impactos climáticos será determinante para garantir estabilidade alimentar e desenvolvimento económico.
Com este novo programa, a FAO pretende evitar que milhares de famílias passem da vulnerabilidade para situações mais graves de fome, apostando numa combinação entre assistência imediata e construção de maior resistência agrícola.
Fonte: FAO / Lusa