Maputo, Moçambique – O Governo moçambicano já injectou cerca de 74 milhões de dólares em mecanismos de financiamento destinados às micro, pequenas e médias empresas (MPME), numa das maiores apostas dos últimos anos para acelerar o crescimento do sector privado, recuperar empresas afectadas por crises recentes e impulsionar a criação de emprego. O anúncio foi feito pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante a cerimónia de entrega de cheques a empresas beneficiárias, realizada em Nacala-Porto, província de Nampula.
A decisão surge numa altura em que milhares de pequenas empresas continuam a enfrentar dificuldades de acesso ao crédito, num contexto marcado por juros elevados, escassez de financiamento bancário e desafios económicos acumulados desde os ciclones e das manifestações pós-eleitorais de 2024.
Governo acelera financiamento para salvar e expandir empresas
Segundo Daniel Chapo, os 74 milhões de dólares já disponibilizados representam um esforço concreto para fortalecer o tecido empresarial nacional e transformar pequenos negócios em motores de desenvolvimento económico.
Os recursos estão a ser canalizados através de dois mecanismos principais: o Fundo Catalítico para Inovação e Demonstração (FCID – Connecta Negócios) e o Fundo de Recuperação Empresarial, criado especificamente para apoiar empresas afectadas por calamidades naturais e pelos impactos económicos registados nos últimos anos.
Durante o evento, o Chefe do Estado afirmou que o objectivo do Executivo não é apenas distribuir financiamento, mas criar condições para que as empresas aumentem a produção, gerem emprego e reforcem a economia nacional.
“Com os cheques hoje entregues, o Governo já colocou cerca de 74 milhões de dólares ao serviço do sector privado nacional”, declarou Daniel Chapo.
Banco Mundial financia programa de 100 milhões de dólares
Grande parte desta estratégia é sustentada pelo programa FCID – Connecta Negócios, lançado em 2025 e financiado pelo Banco Mundial, com uma dotação global de 100 milhões de dólares.
O programa procura aproximar pequenas empresas das grandes cadeias de produção, melhorar a competitividade empresarial, incentivar inovação e facilitar o acesso aos mercados nacionais e internacionais.
Segundo o Governo, este mecanismo pretende reduzir um dos maiores problemas enfrentados pelas PME moçambicanas: a dificuldade em obter financiamento para expandir operações, adquirir equipamentos modernos e aumentar a produtividade.
Empresas afectadas pelos ciclones também recebem apoio
Além do FCID, o Executivo mantém activo o Fundo de Recuperação Empresarial, criado para apoiar empresas atingidas pelos ciclones e pelos protestos pós-eleitorais.
Com uma dotação inicial de 4,5 milhões de euros, este fundo já financiou 93 empresas, permitindo a recuperação de actividades económicas interrompidas e a preservação de centenas de postos de trabalho.
Segundo o Governo, os recursos destinam-se principalmente à:
- aquisição de equipamentos;
- compra de matérias-primas;
- reabilitação de infra-estruturas;
- reforço do capital circulante;
- manutenção e criação de empregos.
Norte e Centro concentram maior parte dos investimentos
Os financiamentos estão direccionados sobretudo para as províncias das regiões Centro e Norte, consideradas prioritárias devido ao elevado potencial agrícola, industrial e comercial, mas também pelos impactos provocados por fenómenos climáticos extremos e desafios de desenvolvimento.
Para o Executivo, fortalecer estas regiões poderá aumentar significativamente a produção nacional, reduzir desigualdades regionais e estimular novas cadeias de valor.
Governo quer produzir mais e exportar mais
Durante o discurso, Daniel Chapo voltou a defender que Moçambique precisa aumentar rapidamente a produção nacional para reduzir a dependência das importações e gerar mais receitas através das exportações.
Segundo o Presidente, os financiamentos agora disponibilizados deverão ajudar empresas ligadas à agricultura, agro-processamento, indústria, comércio e outros sectores produtivos.
“O nosso objectivo é produzir mais, exportar mais e gerar mais riqueza para combater a pobreza e aumentar o rendimento das famílias”, afirmou.
Beneficiários terão de devolver os recursos
Apesar do apoio financeiro, o Governo recordou que grande parte destes fundos funciona sob a lógica de financiamento reembolsável.
Daniel Chapo apelou às empresas para honrarem os compromissos assumidos, devolvendo os recursos dentro dos prazos previstos para permitir que outros empreendedores também possam beneficiar futuramente.
Especialistas em desenvolvimento económico defendem que a sustentabilidade destes programas dependerá precisamente da taxa de reembolso e da capacidade das empresas em transformar o financiamento recebido em negócios rentáveis.
O verdadeiro desafio começa agora
Economistas consideram que a injecção de recursos representa uma oportunidade importante para dinamizar o sector privado, mas alertam que o sucesso dependerá igualmente de factores como estabilidade económica, acesso à energia, redução dos custos de financiamento, melhoria das infra-estruturas e simplificação do ambiente de negócios.
Sem estes elementos, defendem os analistas, muitos pequenos negócios poderão continuar limitados, mesmo após receberem financiamento.
Ao mesmo tempo, o Banco Mundial continua a acompanhar a implementação do programa, esperando que os recursos contribuam para criar empresas mais competitivas, aumentar o emprego e impulsionar o crescimento económico sustentável em Moçambique.
Fonte: Lusa, Presidência da República de Moçambique e Banco Mundial.