O Governo de Moçambique iniciou uma operação nacional de fiscalização aos postos de abastecimento, após registo de escassez de combustíveis que tem provocado longas filas e constrangimentos à circulação, sobretudo na cidade de Maputo.
A acção, segundo informações avançadas pela Lusa, envolve a verificação dos níveis de combustível nos tanques dos revendedores e a análise detalhada dos relatórios de vendas, com o objectivo de identificar possíveis falhas ao longo da cadeia de distribuição.
A directora da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Cunhete, explicou que a prioridade do Executivo é perceber por que motivo o combustível disponível não está a chegar de forma regular aos consumidores finais.
“Queremos perceber o que está a acontecer na cadeia de distribuição de combustíveis. Estamos a verificar os tanques para confirmar a existência de produto e a solicitar relatórios de vendas para aferir se o combustível que chegou está, de facto, a ser comercializado”, afirmou a responsável.
A dirigente sublinhou ainda que, apesar de terem sido registadas descargas significativas de combustíveis na cidade de Maputo nos últimos dias, a escassez verificada nos postos não encontra explicação imediata.
“Não faz sentido que o combustível que sai da Matola não chegue às bombas. Temos sistemas de controlo que monitorizam estas saídas, pelo que é necessário identificar onde está o bloqueio”, acrescentou.
PRESSÃO NOS POSTOS E MEDIDAS DOS REVENDEDORES
Na cidade de Maputo, vários postos de abastecimento continuam encerrados ou a operar sob forte pressão da procura. Em alguns casos, foram registadas filas extensas e presença de forças de segurança para manter a ordem pública.
Perante a situação, alguns revendedores optaram por limitar a quantidade de combustível vendida por viatura, uma medida que, segundo a Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, não resulta de qualquer instrução do Governo.
“Trata-se de uma iniciativa dos próprios gestores. Acreditamos que estas restrições poderão ser ultrapassadas à medida que forem resolvidos os constrangimentos na distribuição”, esclareceu Felisbela Cunhete.
FISCALIZAÇÃO INTENSIFICADA
Em paralelo, a Autoridade Reguladora de Energia intensificou acções de fiscalização nas cidades de Maputo e Matola, com o objectivo de avaliar a disponibilidade real de combustíveis, detectar eventuais práticas de retenção de stocks e assegurar o cumprimento das regras de preços e horários de funcionamento.
A escassez começa também a afectar outras províncias, levantando preocupações sobre a estabilidade do abastecimento nacional e a necessidade de uma resposta rápida para normalizar a distribuição de combustíveis em todo o país.
Fonte : Lusa