A União Europeia anunciou um reforço de cerca de 600 mil dólares em apoio humanitário a Moçambique, numa resposta à crise provocada pelas cheias severas que afectam o país desde o final de 2025, agravadas recentemente pela passagem do ciclone tropical Gezani.
De acordo com um comunicado oficial, o financiamento será canalizado através do Fundo de Emergência para Resposta a Desastres da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, com o objectivo de apoiar directamente as operações da Cruz Vermelha de Moçambique.
APOIO DIRECIONADO ÀS NECESSIDADES URGENTES
O pacote financeiro destina-se a garantir assistência imediata às populações afectadas, incluindo:
• provisão de abrigo de emergência
• distribuição de bens essenciais
• acesso a água potável
• serviços básicos de saúde
• promoção de condições de higiene
Além disso, estão previstas acções de redução do risco de desastres ao nível comunitário, numa tentativa de mitigar impactos futuros.
MAIS DE 700 MIL PESSOAS AFECTADAS
Desde Dezembro de 2025, chuvas intensas e persistentes, associadas à subida do caudal dos rios e à gestão de barragens, provocaram inundações em todas as 11 províncias do país.
Segundo dados oficiais, mais de 723 mil pessoas foram afectadas, das quais cerca de 400 mil tiveram de abandonar as suas casas. A crise resultou ainda em vítimas mortais, feridos e destruição significativa de infra-estruturas.
Perante a gravidade da situação, o Governo de Moçambique declarou Alerta Vermelho nacional a 16 de Janeiro de 2026, reconhecendo limitações na capacidade de resposta interna.
CICLONE GEZANI AGRAVOU A CRISE
A situação humanitária deteriorou-se ainda mais com a passagem do ciclone Gezani, que atingiu a província de Inhambane em Fevereiro com ventos que chegaram a 215 km/h. O fenómeno causou pelo menos quatro mortos e afectou milhares de pessoas, muitas das quais já enfrentavam os efeitos das cheias.
RISCOS HUMANITÁRIOS E ECONÓMICOS
Para além das perdas humanas e materiais, os desastres naturais comprometeram gravemente os meios de subsistência, com prejuízos significativos na agricultura e morte de gado.
A situação agrava o risco de insegurança alimentar e aumenta a vulnerabilidade de centenas de milhares de famílias. Em paralelo, a sobrelotação dos centros de acolhimento e as condições sanitárias precárias elevam o risco de surtos de doenças como cólera e malária.
APOIO INTERNACIONAL CONTÍNUO
A União Europeia e os seus Estados-membros continuam entre os principais doadores globais de ajuda humanitária, actuando em cenários de crise com o objectivo de salvar vidas e reduzir o sofrimento das populações.
No caso de Moçambique, este apoio integra um pacote mais amplo avaliado em cerca de 12 milhões de dólares, destinado a reforçar a capacidade de resposta rápida a desastres de menor escala através de mecanismos internacionais de emergência.
Donte : Lusa e RTP